PROFILE Mozambique: A MEGA Distribuição S.A. iniciou actividade no mercado moçambicano como empresa de cash and carry e, anos depois, apostou numa nova insígnia de supermercados de conveniência. Pode partilhar connosco como surgiu esta evolução estratégica e quais são as ambições actuais do grupo?
João Seara: A MEGA iniciou a sua actividade aqui em Moçambique por volta de 2012, tendo-se estabelecido inicialmente como uma empresa de cash and carry, vocacionada para a distribuição alimentar em grande escala.
Foi neste contexto que, em 2019, identificamos potencial para criar uma insígnia de supermercados de conveniência, aproximando-nos ainda mais dos consumidores. Actualmente, contamos com cerca de 14 lojas nas zonas de Maputo e Matola e temos como ambição expandir para outras capitais provinciais, reforçando o nosso compromisso com a modernização do retalho em Moçambique.
PM: Qual foi a inspiração por trás da criação da marca LOKAL e como surgiu a ideia do nome e da sua grafia diferenciada?
JS: A marca LOKAL nasceu da ideia de proximidade, é o local onde se vai, onde se está, onde se volta. Achamos que traduzia bem o conceito de loja de conveniência. Para o registo, tivemos de optar por uma grafia criativa, incorporando o ‘CAPA’, que é também uma referência cultural comum em países africanos como Moçambique e Angola. Este detalhe torna o nome mais memorável para os consumidores.
PM: Qual é o posicionamento estratégico do Supermercado LOKAL no sector do retalho alimentar moçambicano?
JS: Queremos oferecer ao cliente uma experiência de compra diferente, através de supermercados de proximidade que disponibilizam uma gama cuidadosamente seleccionada, de bebidas alcoólicas a frutas e legumes, passando por laticínios e produtos frescos como padaria e charcutaria.
Apostamos numa oferta completa que cobre todos os segmentos do mercado, garantindo padrões de higiene, segurança, limpeza e um serviço que nos distingue. Estamos actualmente focados em expandir na zona de Maputo e Matola, com a meta de chegar a 25 lojas. Hoje temos 14, em breve 15, e quando atingirmos as 25, queremos avançar para as principais capitais de província.
PM: Quais são os critérios do LOKAL para apoiar marcas moçambicanas nas prateleiras?
JS: Apoiamos a indústria nacional e trabalhamos para substituir gradualmente os produtos importados por artigos produzidos localmente. Não seguimos um critério rígido de selecção, além da relevância que esses produtos têm para o consumidor moçambicano.
Acreditamos que a sustentabilidade do nosso negócio depende desta transição, por isso sinalizamos de forma clara, nas prateleiras, os produtos de origem nacional, reforçando o compromisso com o desenvolvimento da economia local.
PM: O vosso modelo de negócio faz referência à sustentabilidade. Que práticas estão actualmente implementadas para garantir operações mais sustentáveis?
Temos uma política social interna sólida, que inclui subsídios de alimentação, cantinas próprias, apoio ao transporte e uma remuneração competitiva. Este ambiente de trabalho contribui para manter uma taxa de rotatividade muito baixa e um clima social positivo.
Para além disso, apostamos em parcerias com produtores nacionais, criando oportunidades para que os produtos moçambicanos ganhem maior presença e a indústria local se consolide no mercado.
PM: Além da função comercial, que impacto social o LOKAL pretende gerar nos bairros onde se instala?
JS: Queremos ser a loja de conveniência do dia-a-dia, criando uma ligação próxima entre os nossos colaboradores e os clientes. Muitos visitam as nossas lojas várias vezes por semana, o que nos permite estabelecer relações de confiança, quase pessoais, onde o cliente é reconhecido pelo nome. É esta proximidade que faz parte do nosso modelo e diferencia a experiência de compra.
PM: Quantos postos de trabalho foram criados com o plano de expansão em curso?
JS: Temos um plano de expansão assente em dois eixos: por um lado, a rede de supermercados Lokal, voltada para o segmento médio e médio-alto, por outro, estamos a lançar uma nova insígnia, a MOCA, orientada para um público de segmento médio e médio-baixo. Acreditamos que, combinando estas duas marcas, podemos atingir cerca de 100 lojas no prazo de três a quatro anos, reforçando a presença nacional no retalho de conveniência.

Actualmente contamos com cerca de 385 colaboradores. Cada nova loja que abrimos representa, em média, mais 15 a 20 postos de trabalho, contribuindo directamente para o emprego local e para o fortalecimento da nossa equipa.
PM: Como a marca pretende manter a proximidade e a qualidade numa rede em crescimento constante?
JS: Investimos fortemente na formação e na padronização de processos em todas as lojas. Apostamos em treinar as equipas desde a integração, promovendo que os colaboradores passem por diferentes áreas para adquirir uma visão completa do retalho alimentar. É assim que construímos uma equipa mais preparada e alinhada com os valores da empresa.
Saiba mais aqui: Supermercado LOKAL