Desde 2019, o programa GET.invest Moçambique já mobilizou cerca de 12,5 milhões de euros para apoiar projectos de energia sustentável no sector privado moçambicano.
A iniciativa, financiada pela União Europeia e Alemanha e implementada pela GIZ, tem como objectivo principal desbloquear capitais para projectos energéticos adaptados ao contexto local, que podem ascender a mais de 9 mil milhões de euros, dado o potencial energético nacional e os projectos emblemáticos identificados na Estratégia de Transição Energética de Moçambique.
Em entrevista, José Mestre, coordenador do GET.invest Moçambique, revelou que quatro projectos alcançaram o fecho financeiro, enquanto 21 empresas receberam apoio técnico para se tornarem bancáveis.
Este pipeline representa um potencial de investimento privado de cerca de 360 milhões de euros. As iniciativas incluem cozinhas limpas, mini-redes, mobilidade eléctrica, até à geração de energia para venda à Electricidade de Moçambique (EDM), empresa pública de geração, distribuição e venda de energia eléctrica.
“Temos até à data quatro projectos que chegaram ao fecho financeiro e o valor destes investimentos ronda os 12,5 milhões de euros. Esperamos que mais empresas apoiadas possam também alcançar este patamar”, afirmou Mestre.
Durante a última RenMoz – Conferência Empresarial de Renováveis em Moçambique, o potencial de geração de emprego qualificado no sector foi estimado em mais de 18.000 empregos.
No entanto, apesar de o avanço do projecto, o coordenador lamenta não existir uma monitoria sistemática do impacto social destes investimentos, e admite que essa situação possa levantar dúvidas sobre o real desempenho social das iniciativas que chegam ao fecho financeiro, tal como a criação de emprego para jovens e melhoria da qualidade de vida das populações, contudo muitos destes projectos promovem o desenvolvimento económico sobretudo nas zonas rurais onde as iniciativas ocorrem.
“Estamos a montante da realização do projecto, intervimos antes da implementação. Apoiamos as empresas a conseguirem o financiamento, depois disso é uma questão entre e a empresa e o investidor”, justificou.
Mestre salientou que, devido às condições contratuais, os nomes das empresas
apoiadas mantêm-se confidenciais para proteger as negociações comerciais.
“O nosso apoio é confidencial. Isso está nas nossas condições. Os detalhes desse apoio não podem ser tornados públicos”, frisou.
Mestre respondeu também às críticas quanto ao uso frequente de consultores internacionais para preparar estudos técnicos e apoio a transacções, sublinhando que a expertise técnica é decisiva para atrair financiadores.
“De facto esse apoio técnico é realizado por consultores, muitas vezes em equipas mistas de especialistas moçambicanos e internacionais. Nós precisamos de convencer juntamente com as empresas que apoiamos que um financiador precisa de se sentir confortável em investir. É um apoio altamente especializado que exige conhecimentos técnicos e um domínio dos instrumentos financeiros disponíveis internacionalmente e os consultores com quem trabalhamos estão distribuídos pelo mundo”, revelou.
Apesar dos resultados, persistem barreiras à implementação de projectos no país. Entre elas estão lacunas no quadro regulamentar e um desalinhamento entre o perfil dos financiadores que buscam grandes projectos e a realidade das micro, pequenas e médias empresas locais apoiadas pelo programa.
Dados do sector evidenciam um crescente ecossistema de energias renováveis, com projectos já operacionalizados, no entanto, a falta de informação detalhada sobre os aspectos sociais, financiamento por projecto e a participação efectiva dos moçambicanos, pode dificultar a compreensão do impacto do GET.invest, sendo que, é imperioso que se incluam dados regionais, perfis de promotores e detalhes sobre financiamentos e resultados concretos no futuro.
O GET.invest Moçambique é uma janela nacional do programa europeu GET.invest, que visa preparar projectos para investimento e promover um ecossistema de energias renováveis mais robusto, actuando através de fornecimento de informação de mercado e financiamento, eventos de matchmaking, apoio ao acesso a financiamento e colaboração com actores-chave, como Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) e a Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER). O programa é co-financiado pela União Europeia e pela Alemanha.