Thursday, April 2, 2026
spot_img

Mphanda Nkuwa exige robustez regulamentar e estrutura financeira para atrair capital privado, destaca GMNK no Africa50

Pressão regulatória e institucional exigem estrutura financeira sofisticada.

Garantias multilaterais são condição prévia para o acesso ao mercado internacional.

Déficits de infra-estrutura energética fragilizam a competitividade industrial.

Recorrência e resiliência hídrica de Moçambique podem impulsionar sua industrialização sustentável.

Durante o painel Powering Africa’s Growth: Energy & Industrialisation no fórum Africa50, Carlos Yum, Director-Geral do Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), destacou que a magnitude do empreendimento exerce uma forte pressão sobre o quadro regulatório e institucional do sector energético moçambicano, exigindo um arranjo financeiro robusto e sofisticado para atrair capital privado.

Segundo o responsável, trata-se de um projecto de cerca de 5 mil milhões de dólares, cuja estrutura de financiamento deve integrar garantias multilaterais, incluindo seguros de risco parcial, de crédito e risco político, com o apoio de instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, permitindo que o sector público assuma entre 25% e 30% do investimento total.

Yum sublinhou que a “narrativa financeira do projecto” é essencial para viabilizar a entrada de investidores internacionais, ao mesmo tempo que é necessário assegurar um quadro regulatório sólido e previsível que garanta qualidade, quantidade e fiabilidade no fornecimento de energia. Apontou ainda que Moçambique perde entre 2% e 4% do seu PIB devido a deficiências estruturais de fornecimento eléctrico, o que representa prejuízos anuais estimados entre 40 e 50 mil milhões de dólares.

Com um dos melhores factores de carga hídrica da região, superior a 70%, e um potencial para projectos em cascata, o país tem condições para duplicar a sua capacidade hídrica instalada num horizonte de cinco anos, desde que haja alinhamento entre políticas públicas, infra-estrutura e modelos contratuais. Para Yum, a fiabilidade energética é decisiva para atrair indústrias, sustentar a competitividade nacional e promover uma industrialização sustentável assente nos recursos hídricos de Moçambique.

Noticias Relacionadas

Technip Energies ganha contrato relevante para segundo FLNG em Moçambique

Projecto replica modelo do Coral Sul com maior capacidade...

Moçambique adia a conclusão da central eléctrica a gás para 2027 devido ao aumento dos custos

Moçambique adiou para 2027 a conclusão da Central Térmica...

Moçambique prepara-se para inaugurar primeira fábrica nacional de gás de cozinha

O anúncio da inauguração da primeira fábrica nacional de processamento...

HCB reafirma plano de aumento da capacidade de produção de energia para 4.000 MW até 2034

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), responsável pela maior...