Friday, February 6, 2026
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BPI sinaliza venda de 35,7% do BCI após prejuízo de €20 milhões

Banco BPI manifestou a intenção de vender a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) na sequência de prejuízos acumulados em 2025, atribuídos ao agravamento da dívida pública moçambicana. A revelação foi feita esta segunda-feira (2), pelo presidente do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais, realizada em Lisboa.

De acordo com a Lusa, na ocasião, o gestor reiterou que as participações em Angola e Moçambique “não são estratégicas”, sinalizando abertura para alienar os activos detidos nestes mercados. “Quando digo publicamente que se trata de participações não estratégicas, significa que estou disponível para vender”, afirmou, sem avançar com prazos concretos.

Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 512 milhões de euros, o que representa uma quebra de 13% face ao exercício anterior. A administração atribui esta descida, sobretudo, à evolução das suas posições no Banco de Fomento Angola (BFA) e no BCI.

Enquanto o BFA contribuiu com 43 milhões de euros para os resultados líquidos do grupo, mais 4 milhões do que em 2024, o BCI apresentou uma contribuição negativa de 20 milhões de euros, em contraste com os 38 milhões de euros positivos registados no ano anterior. O impacto da dívida soberana moçambicana no desempenho da instituição é apontado como principal causa desta deterioração.

Apesar da intenção de venda, Oliveira e Costa garantiu que qualquer decisão em relação ao BCI será comunicada previamente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), principal accionista do banco moçambicano. “Não tomaremos nenhuma decisão sem informar previamente a CGD”, declarou o executivo, que aproveitou para criticar a forma como as autoridades moçambicanas têm tratado o banco.

Em Setembro último, o BPI concretizou a venda de 14,75% do capital do BFA, angariando cerca de 103 milhões de euros, mantendo actualmente uma posição de 33,4%. Quanto ao BCI, o banco português detém 35,67%, sendo o restante capital maioritariamente controlado pela CGD.

No final da conferência, João Pedro Oliveira e Costa manifestou-se “completamente chocado” com a morte de Pedro Ferraz dos Reis, administrador financeiro do BCI, com quem mantinha uma relação profissional há mais de duas décadas.

“Era uma pessoa de qualidades pessoais e intelectuais extraordinárias”, referiu, expressando ainda agradecimentos ao Governo e ao Presidente da República pelo apoio prestado à família e à instituição.

Segundo as autoridades, Pedro Ferraz dos Reis suicidou-se a 19 de Janeiro, numa casa de banho pública do Hotel Polana Serena, em Maputo.

Fonte: DE

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