A multinacional australiana South32 não antevê margem para reverter o encerramento da fundição de alumínio Mozal, cuja paralisação está prevista para Março próximo, segundo fontes próximas do processo. A decisão surge apesar de esforços de última hora protagonizados por fornecedores de energia em Moçambique e na África do Sul, que procuram uma solução para a revisão das tarifas de electricidade.
Nos últimos dias, surgiram indicações de que o Governo moçambicano estaria a intensificar diligências para evitar o fecho da maior unidade industrial do país. O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, afirmou à agência Reuters que o Executivo está a fazer “tudo o que é necessário” para garantir a continuidade das operações da Mozal.
Do lado sul-africano, o director-executivo da empresa pública de electricidade Eskom, Dan Marokane, foi citado a 23 de Janeiro como estando empenhado em encontrar uma solução que pudesse produzir resultados, sublinhando que as negociações permaneciam em curso. Contudo, fontes ligadas à South32 indicam que a percepção interna da empresa é distinta, após cerca de seis anos de negociações em torno das tarifas de energia e, mais recentemente, um ciclo de conversações intensivas com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Eskom, tendo em vista o termo do contrato vigente em Março.
Considerada uma das “jóias da coroa” do portefólio da South32, a Mozal destacou-se pela produção de alumínio de baixo custo e com menor pegada carbónica, beneficiando historicamente da energia hidroeléctrica proveniente da barragem de Cahora Bassa. Todavia, a actual seca reduziu drasticamente a capacidade de produção da barragem, que opera actualmente a cerca de um quinto do seu potencial anterior.
Perante este cenário, a fundição passou a depender maioritariamente da energia fornecida pela Eskom, cerca de 940 megawatts consumidos de forma contínua, 24 horas por dia, proveniente, em grande medida, de centrais térmicas a carvão, com custos significativamente mais elevados. A estratégia da South32 consistia em assegurar, junto da Eskom, tarifas transitórias mais acessíveis por um período de dois anos, até que Cahora Bassa recuperasse os níveis normais de produção. No entanto, as negociações não produziram os resultados esperados.
Dados do Conselho de Minerais da África do Sul indicam que as tarifas da Eskom aumentaram cerca de 900% desde 2008, limitando a margem de manobra para concessões adicionais. Este contexto tarifário adverso terá pesado de forma decisiva na posição da South32.
O eventual encerramento da Mozal poderá ter impacto significativo na economia moçambicana. Estima-se a perda directa de cerca de cinco mil postos de trabalho, podendo o número de afectados ascender a 22 mil, incluindo trabalhadores de empresas subcontratadas. A Mozal representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, sendo um dos principais contribuintes para as exportações industriais do país.
Caso se confirme o fecho em Março, Moçambique enfrentará um dos maiores desafios industriais das últimas décadas, num momento em que procura consolidar a sua base produtiva e reforçar a atracção de investimento estrangeiro.



