A multinacional francesa TotalEnergies está a avançar com a expansão do acampamento de Afungi, com capacidade para albergar até 2.000 trabalhadores, no âmbito do megaprojecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, marcando o relançamento pleno das actividades no terreno.
A iniciativa decorre de um concurso para manifestação de interesse lançado pelo consórcio CCS JV, contratado pela TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, no norte de Moçambique. O processo, aberto até 20 de Fevereiro, visa a contratação de serviços de engenharia e fornecimento para a ampliação do acampamento de Afungi.
De acordo com os termos da consulta, os participantes deverão apresentar propostas para o desenho, aquisição e entrega de unidades modulares de alojamento de dois pisos, destinadas a acolher cerca de 2.000 trabalhadores. O projecto inclui ainda o fornecimento de mobiliário, equipamentos, iluminação interna, internet, telecomunicações, televisão por satélite, água potável e sistemas de recolha de águas residuais.
A retoma do megaprojecto, suspenso durante quase cinco anos devido a ataques terroristas, foi recentemente assinalada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, como um símbolo de “resiliência, coragem e determinação”.
Falando a 29 de Janeiro, após a visita à bacia de Afungi, na presença do presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, o Chefe do Estado destacou a importância do projecto Mozambique LNG, considerado um dos maiores do continente africano, sublinhando a retoma integral das actividades, com início das exportações de gás previsto para 2029.
Segundo dados oficiais, o projecto deverá contribuir com cerca de 35 mil milhões de dólares norte-americanos em receitas para o Estado ao longo de 25 anos e gerar aproximadamente 17 mil postos de trabalho durante a fase de construção, dos quais mais de quatro mil já se encontram no terreno, sendo 80% ocupados por cidadãos moçambicanos.
Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o empreendimento terá capacidade de produção anual de 13 milhões de toneladas de GNL, a partir da bacia do Rovuma.
Por sua vez, Patrick Pouyanné afirmou que a situação de força maior está ultrapassada, sublinhando tratar-se do maior investimento da TotalEnergies em África, embora tenha alertado para a necessidade de se continuar a priorizar a segurança no complexo, actualmente sujeito a medidas rigorosas, numa área acessível apenas por via aérea e marítima.
O consórcio Mozambique LNG retomou oficialmente, a 29 de Janeiro, as obras de construção da unidade de produção e exportação de gás natural liquefeito na baía de Afungi, interrompidas desde Abril de 2021, na sequência da invocação da cláusula de força maior pela TotalEnergies.
Refira-se que o Governo mandatou a realização de uma auditoria independente aos custos incorridos durante o período de força maior, tendo igualmente ficado estabelecido que os quatro anos e meio de paralisação não serão contabilizados no prazo da concessão.
Moçambique dispõe actualmente de três megaprojectos aprovados para a exploração das reservas de GNL da Bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo, incluindo o projecto liderado pela TotalEnergies e outro da ExxonMobil, avaliado em 30 mil milhões de dólares, ainda a aguardar a decisão final de investimento.
Paralelamente, a petrolífera italiana Eni produz, desde 2022, cerca de sete milhões de toneladas anuais de GNL através da plataforma flutuante Coral Sul, prevendo duplicar esta capacidade a partir de 2028 com o desenvolvimento da plataforma Coral Norte, num investimento estimado em 7,2 mil milhões de dólares.
Fonte: Lusa



