A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) distribuiu cerca de 5 mil milhões de meticais (68 milhões de euros) em dividendos ao Estado moçambicano desde 2018, reafirmando o seu papel central na economia nacional. O anúncio foi feito durante as celebrações do 45.º aniversário da empresa, realizadas em Maputo.
“A ENH é hoje um dos pilares da economia nacional. Contribui para a geração de receitas, mas também entrega dividendos ao Estado moçambicano que, após uma longa caminhada para alcançar a sustentabilidade financeira esperada, entregou cerca de 5 mil milhões de meticais para os cofres do Estado desde 2018”, afirmou a presidente do Conselho de Administração da ENH, Ludovina Bernardo.
As celebrações foram assinaladas com o lançamento do Prémio ENH de Jornalismo, uma iniciativa destinada a estimular a produção de conteúdos jornalísticos e a promover a investigação no sector energético. O programa inclui ainda sessões técnicas sobre conteúdo local, conferências e iniciativas educativas, culturais e comunitárias com o objectivo de aproximar o sector da energia da população moçambicana.
Na ocasião, o Secretário de Estado das Minas, Jorge Daudo, sublinhou a dimensão histórica e estratégica da empresa. “Celebramos os 45 anos da ENH, uma instituição que começou pequena, mas com ousadia. Ao longo destas décadas, aprendeu a transformar sinais invisíveis em riqueza tangível, convertendo promessas profundas em orgulho nacional”, afirmou, acrescentando que o país reconhece o gás como o caminho para sustentar as “ambições colectivas” de Moçambique.
Fundada em 1981, com um capital social de 749 milhões de meticais (10 milhões de euros) integralmente detido pelo Estado moçambicano, a ENH opera sob tutela do Ministério dos Recursos Naturais e Energia. A empresa participa em todas as fases das operações petrolíferas da prospecção e pesquisa à produção, refinação, transporte, armazenamento e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados, incluindo Gás Natural Liquefeito (GNL) e Gás-para-Líquidos (GTL), tanto no mercado interno como externo.

Moçambique dispõe de três megaprojectos aprovados para o desenvolvimento das reservas de GNL na Bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado. O projecto liderado pela TotalEnergies e o da ExxonMobil este avaliado em 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), com capacidade de 18 mtpa aguardam decisão final de investimento, ambos em Afungi. A italiana Eni opera desde 2022 a plataforma flutuante Coral Sul, com produção de cerca de 7 mtpa, capacidade que deverá duplicar a partir de 2028 com a entrada em funcionamento da plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).



