Monday, May 4, 2026
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Patrícia Aquarelli: “O maior valor reputacional de uma marca são as pessoas”

A sexta edição do Superbrands Moçambique surge num momento de crescente maturidade e afirmação do ecossistema de marcas no país. À frente desta iniciativa está Patrícia Aquarelli, CEO da Superbrands Moçambique, uma profissional de marketing com uma visão clara sobre o que distingue uma marca comum de uma marca de excelência.

Nesta entrevista, Patrícia aborda o rigor do processo de selecção, as tendências do branding no mercado moçambicano e o tema central da 4.ª Conferência Marketeers em Acção, agendada para o dia 12 de Maio de 2026, no Polana Serena Hotel, em Maputo.

O processo de selecção da Superbrands distingue-se de outras iniciativas do mercado. Como funciona a metodologia?

O processo assenta num princípio fundamental: escolher as pessoas certas para avaliar. Seleccionamos profissionais qualificados e decisores do mercado, a quem chamamos conselheiros. São especialistas locais que avaliam as marcas com base em cinco dimensões: domínio de mercado, longevidade, goodwill, lealdade e aceitação.

Cada conselheiro atribui uma pontuação de zero a dez em cada uma destas dimensões, garantindo um processo profundo, rigoroso e altamente criterioso.

A grande diferença em relação a outras iniciativas está precisamente neste modelo. A Superbrands não mede apenas a percepção do consumidor, escolhe quem tem capacidade técnica e experiência para avaliar. Embora no passado tenhamos trabalhado em paralelo com estudos de consumidor, actualmente seguimos exclusivamente a metodologia internacional, que privilegia o olhar dos especialistas.

Nesta sexta edição, quantas marcas integram o painel?

Nesta edição, doze marcas integram o painel final. Estas marcas resultam de um universo de avaliação que abrange cerca de mil e quinhentas marcas activas no mercado moçambicano.

O convite e a aceitação já são, por si só, um sinal claro de prestígio. A lista completa será revelada no momento oficial, durante o evento, mas posso adiantar que contamos com marcas de grande relevância e que aceitaram este desafio com elevado entusiasmo.

Uma das novidades desta edição foi a criação dos Chats Superbrands. Em que consistem?

Foi, sem dúvida, uma das iniciativas mais marcantes desta edição. Criamos os Chats Superbrands com o objectivo de entrevistar os CEOs das marcas seleccionadas.

Estar frente a frente com líderes de organizações como o BCI, a Fidelidade Ímpar, o UBA ou o BNI é uma experiência enriquecedora para toda a equipa. Não estamos a falar com departamentos, estamos a falar directamente com quem define a visão e a estratégia de empresas com milhares de colaboradores. Isso eleva significativamente a qualidade do conteúdo e da reflexão.

A 4.ª Conferência Marketeers em Acção tem um tema central muito desafiante. Qual é e o que o motivou?

O tema é: “Pessoas: o activo reputacional que sustenta as marcas”.

Esta é uma ideia que atravessa toda a conferência. Podemos investir em notoriedade, desenvolver identidades visuais fortes e executar campanhas impactantes. Mas, no final, quem materializa a marca são as pessoas.

São os colaboradores que representam a marca no contacto com o cliente, que garantem a consistência da experiência e que, na prática, funcionam como o verdadeiro cartão de visita da organização.

A conferência contará com um keynote speaker internacional, Matheus Vecchio, especialista em vendas, comunicação e retalho, reconhecido pela Forbes Latam e orador TEDx. Teremos ainda como convidada de honra a Doutora Vitória Diogo, antiga Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social e da Função Pública.

O evento realiza-se no dia 12 de Maio de 2026, entre as 08h00 e as 13h00, no Polana Serena Hotel, em Maputo.

Que caminho recomenda às marcas que ambicionam ser reconhecidas como Superbrands?

O primeiro passo é sempre interno. As marcas devem começar por investir nas suas pessoas, porque é aí que a reputação se constrói diariamente.

Depois, é fundamental saber comunicar de forma clara, tanto internamente como para o exterior. A marca precisa de definir como quer ser percebida: sólida, inovadora, sustentável, próxima.

Com essa base, deve fazer uma avaliação honesta do seu posicionamento actual, definir um propósito claro e traçar um plano de acção consistente.

Só quando existe solidez interna é que faz sentido investir na projecção externa. A sequência é clara.

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