Wednesday, May 13, 2026
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Governo pretende criar empresa de logística para assegurar fornecimento de gás natural no pós-2030

O Governo está preocupado com a redução progressiva das reservas de gás nos campos de Pande e Temane, na Bacia de Moçambique, na província de Inhambane. Entretanto, para garantir a continuidade no fornecimento do gás natural além de 2030, o Governo está a trabalhar na criação de empresa de logística para garantir o abastecimento do gás da Bacia do Rovuma, ao mercado nacional, a África do Sul e a região.

O anúncio foi feito na semana finda, em Maputo, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, aquando da abertura da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC, sigla em Inglês). Chapo disse que a criação dessa empresa está a ser feita com responsabilidade e urgência.

“Para assegurar a continuidade do fornecimento de gás natural e salvaguardar a estabilidade energética da região no período pós-2030, avançámos com soluções estruturantes, entre as quais se destaca a criação da empresa Serviços Logísticos Integrados de Moçambique (SLIM). A entidade, suportada por parceiros públicos e estratégicos, tem como missão viabilizar a implementação de uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU) no distrito de Inhassoro, na província de Inhambane”, explicou o Presidente.

Chapo detalhou ainda que a infra-estrutura representa mais do que uma resposta técnica. Representa uma escolha estratégica: garantir a segurança energética, proteger a base industrial existente e preparar o futuro energético da nossa economia moçambicana e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

O Estadista disse que as operações da empresa estarão ligadas ao gasoduto regional, gerido pela Companhia de Investimentos em Gasodutos da República de Moçambique (ROMPCO), uma joint venture entre o Governo da África do Sul (representado pela South African Gas Development Company (iGas), o Governo de Moçambique (representado pela Companhia Moçambicana de Gasoduto (CMG) e a Sasol.

“Este gasoduto, operado pela ROMPCO, constitui um exemplo sólido de cooperação regional e de parceria público-privada bem-sucedida ao longo dos últimos 20 anos. A sua estrutura accionista reflecte um compromisso partilhado entre Estados e sector privado, em torno de um objectivo comum: o desenvolvimento energético e económico sustentável da região da SADC”, disse Chapo.

Nesse espírito de responsabilidade colectiva, o Chefe de Estado, sublinhou que o seu Governo está a imprimir um forte sentido de urgência e coordenação à implementação do Projecto de Inhassoro, mobilizando a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e todos os parceiros envolvidos para garantir uma execução célere, rigorosa e alinhada com os prazos estabelecidos.

“Este processo será acompanhado ao mais alto nível, com monitoria directa do Conselho de Ministros”, vincou o Estadista. Paralelamente, encorajou a ROMPCO a aprofundar a sua visão estratégica, promovendo a expansão da rede de gasodutos regionais.

O Presidente da República sublinhou que o objectivo é posicionar o gás de Moçambique como um verdadeiro catalisador da integração energética e do desenvolvimento económico da África Austral. “Países como Eswatini, Zimbabwe, Zâmbia, Malawi e, numa perspectiva futura, a República Democrática do Congo poderão beneficiar desta dinâmica de integração, reforçando os laços de cooperação e prosperidade partilhada do povo da região da SADC e de África”, acrescentou Chapo.

A MMEC reúne anualmente, desde 2014 investidores, líderes de instituições públicas, executivos de empresas globais, representantes de instituições financeiras internacionais, bem como especialistas e académicos. A 12ª MMEC decorreu sob o lema “desbloquear recursos para a industrialização, diversificação e desenvolvimento ou crescimento inclusivo”.

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