Saturday, August 22, 2026
spot_img

Nedbank assinala 15 anos de actividade com robustez financeira e foco no financiamento da economia

O Nedbank Moçambique assinalou no dia 22 de Agosto, 15 anos de actividade no mercado nacional, entrando numa nova fase marcada por uma posição financeira robusta, maior aposta na transformação digital e o desafio de ampliar o financiamento à actividade produtiva. A instituição, que iniciou operações em 2011 como Banco Único, está actualmente presente em sete cidades através de 15 balcões.

A evolução do banco ocorre num contexto em que empresas e famílias moçambicanas continuam a enfrentar limitações no acesso ao financiamento. Para os próximos anos, a capacidade de transformar a solidez financeira acumulada em mais crédito para investimento, empresas e sectores produtivos poderá assumir um papel central na estratégia da instituição.

Capitalização acima dos mínimos regulamentares

Os indicadores financeiros referentes a Junho de 2026 mostram uma posição de capitalização confortável. O rácio de solvabilidade do Nedbank Moçambique situava-se em 30,83%, mais do dobro do mínimo regulamentar de 12%, enquanto o rácio de capital de nível principal atingia 31,28%. O rácio de alavancagem era de 17,91%.

Estes indicadores conferem ao banco uma margem relevante para absorver eventuais perdas e, simultaneamente, expandir os seus activos, incluindo a carteira de crédito, sem comprometer os requisitos prudenciais.

A robustez financeira é acompanhada por níveis positivos de rendibilidade. No final do primeiro semestre, a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) situava-se em 15,52%, enquanto a rendibilidade dos activos (ROA) alcançava 2,92%. A margem financeira era de 11,88% e o rácio entre custos e receitas fixava-se em 48,31%.

Em 2025, o banco registou lucros equivalentes a aproximadamente 15,1 milhões de dólares, representando um crescimento de 6,4% face ao ano anterior.

Liquidez abre espaço para mais crédito

Um dos indicadores que coloca o desafio da intermediação em evidência é o rácio entre crédito e depósitos. Em Junho, este indicador era de 47,07%, significando que o volume de crédito correspondia a menos de metade dos depósitos captados pelo banco. O rácio de activos líquidos, por sua vez, atingia 36,68%.

A posição não significa necessariamente uma menor capacidade de financiamento. Num contexto de risco elevado e de procura limitada por crédito em condições bancáveis, uma política de maior prudência pode justificar níveis mais baixos de transformação dos depósitos em empréstimos.

Contudo, o indicador também aponta para espaço para aprofundar a intermediação financeira, desde que existam projectos viáveis, empresas formalizadas e riscos compatíveis com os critérios de concessão de crédito da instituição.

Crédito produtivo no centro do próximo ciclo

É neste ponto que se encontra um dos principais desafios para o novo ciclo do banco. Mais do que aumentar simplesmente o volume de crédito, a questão passa por canalizar recursos para actividades capazes de gerar produção, rendimento, emprego e capacidade de reembolso.

Agricultura, indústria, comércio, energia, logística, infra-estruturas e pequenas e médias empresas estão entre as áreas que apresentam necessidades relevantes de financiamento. Instrumentos como financiamento estruturado, garantias, seguros, assistência técnica e parcerias com instituições de desenvolvimento podem ajudar a reduzir os riscos associados a determinados projectos.

A expansão deve, contudo, preservar a qualidade da carteira. Em Junho, o rácio de crédito em incumprimento do Nedbank Moçambique era de 3,20%, enquanto a cobertura desses créditos através de provisões e imparidades atingia 83,76%.

A combinação entre capital elevado e crédito malparado relativamente controlado cria condições para uma expansão prudente, mas também coloca sobre a instituição a necessidade de encontrar projectos economicamente sustentáveis.

PME representam oportunidade

As pequenas e médias empresas surgem como um dos segmentos com maior potencial de expansão. Apesar do seu peso na actividade económica e no emprego, muitas PME enfrentam dificuldades relacionadas com garantias, formalização, contabilidade, informação financeira e capacidade de gestão.

A digitalização poderá ajudar a ultrapassar parte destas limitações. Dados sobre transacções, facturação, pagamentos e movimentos de conta podem permitir avaliações de risco mais dinâmicas, reduzindo a dependência exclusiva de garantias físicas.

Para o sector bancário, o desafio passa igualmente por combinar financiamento com capacitação empresarial e apoio na preparação de projectos. O objectivo é permitir que pequenas empresas evoluam de relações predominantemente transaccionais para relações de crédito e investimento de maior dimensão.

Tecnologia redefine relação com clientes

A transformação digital constitui outro dos pilares da estratégia do banco. O Nedbank tem reforçado o investimento em tecnologia, cibersegurança e canais digitais, acompanhando a migração de pagamentos, transferências e outras operações dos balcões para plataformas digitais.

A aplicação MyUey recebeu, em 2026, uma distinção na categoria de melhor aplicação de banca móvel, segundo informação divulgada pelo banco. A aposta digital procura reduzir custos operacionais e ampliar o acesso aos serviços financeiros, sobretudo num país com grande extensão territorial e baixa densidade de balcões.

Ainda assim, a transformação digital não deverá significar o desaparecimento da presença física. Os 15 balcões continuam relevantes para operações empresariais, aconselhamento financeiro, gestão patrimonial e situações que exigem acompanhamento especializado. O modelo que se desenha combina, por isso, canais digitais para operações correntes com balcões mais orientados para aconselhamento e relações de maior complexidade.

Integração regional amplia possibilidades

A participação maioritária do Grupo Nedbank constitui outro activo estratégico. O grupo sul-africano aumentou a sua participação no capital da operação moçambicana para 87,5% em 2021, reforçando a integração da subsidiária na sua plataforma financeira regional.

Com presença em vários mercados africanos, o grupo pode apoiar operações de comércio transfronteiriço, gestão cambial, garantias e financiamento de empresas com actividade regional. A integração oferece ainda acesso a tecnologia, competências, produtos e sistemas de gestão de risco.

No primeiro semestre de 2026, as operações da região da SADC registaram um crescimento de 39% nos resultados do Grupo Nedbank. A instituição contava, a nível global, com mais de oito milhões de clientes.

Os próximos 15 anos

Ao completar 15 anos, o Nedbank Moçambique apresenta uma estrutura que combina capitalização, liquidez, rentabilidade, uma rede física estabelecida, canais digitais e o suporte de um grupo financeiro regional.

O desafio passa agora por transformar esses activos em maior impacto económico. Isso significa aprofundar a concessão de crédito produtivo, apoiar a expansão das empresas nacionais, melhorar a inclusão financeira e acompanhar sectores com potencial de crescimento.

Segundo o presidente da Comissão Executiva do banco, Joel Rodrigues, a instituição pretende continuar a apoiar empresas e famílias e a contribuir para o crescimento económico e social do país. A estratégia anunciada coloca a tecnologia e a experiência do cliente entre as ferramentas para tornar a banca mais simples e próxima.

A celebração dos 15 anos marca, assim, menos um ponto de chegada do que o início de uma nova etapa. Com uma posição financeira confortável, o principal teste para o Nedbank Moçambique será demonstrar até que ponto consegue transformar essa capacidade em financiamento efectivo à economia, particularmente nos segmentos empresariais e produtivos que continuam a enfrentar maiores restrições de capital.

Noticias Relacionadas

Millennium bim elimina custo de dados móveis no acesso ao Smart IZI

O Millennium bim introduziu o conceito “Smart IZI Mahala”,...

Bancos moçambicanos movimentam 4,6 mil milhões de dólares em operações cambiais no segundo trimestre

Os bancos comerciais moçambicanos movimentaram 4,6 mil milhões de...

Absa Bank aumenta lucros em 29,6% no primeiro semestre de 2026

O Absa Bank Moçambique registou um crescimento de 29,6%...

IGEPE e BNI reforçam cooperação económica com delegação empresarial da Etiópia

O Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE)...