Quase dois terços dos jovens Moçambicanos afirmam estar desempregados e à procura de trabalho, revela um recente inquérito do Afrobarometer. Os cidadãos com idades entre os 18 e os 35 anos têm maior probabilidade do que os mais velhos de declarar que estão desempregados.
Para além das condições económicas, os jovens identificam, na sua maioria, a falta de formação ou preparação adequada como a principal barreira ao emprego juvenil, seguida da falta de experiência profissional.
Se pudessem escolher, quase metade dos jovens preferiria iniciar o seu próprio negócio, enquanto cerca de um em cada três optaria por trabalhar no sector público. Os jovens homens e mulheres apresentam preferências profissionais semelhantes.
Se o governo pudesse aumentar as despesas para apoiar os jovens, a criação de Emprego seria a principal prioridade para a juventude, seguida do acesso a crédito para negócios, educação e formação profissional.
Principais resultados
▪ Cerca de dois terços (65%) dos Moçambicanos com idades entre os 18 e os 35 anos afirmam estar desempregados e à procura de trabalho, em comparação com 55% dos indivíduos com idades entre os 36 e os 45 anos (Figura 1).
Outros 21% dos jovens estão desempregados e não estão à procura de trabalho.
▪ Tal como os seus mais velhos, os jovens Moçambicanos afirmam que as principais barreiras ao emprego juvenil são a falta de formação ou preparação adequadas (30%), a falta de experiência exigida pelos empregadores (19%) e a desadequação entre as qualificações académicas e os requisitos do posto de trabalho (14%) (Figura 2).
▪ Quase metade (46%) dos jovens afirma que, se lhes fosse dada a escolher, preferiria iniciar o seu próprio negócio. Três em cada 10 (31%) optariam por trabalhar no sector público, enquanto 13% trabalhariam numa empresa privada (Figura 3).
A preferência dos jovens pelo empreendedorismo é semelhante entre homens e mulheres (45% contra 46%) (Figura 4).
▪ Se o governo pudesse aumentar as despesas para apoiar os jovens, a criação de emprego seria a principal prioridade para os jovens entrevistados (citada por 51% dos indivíduos com idades entre os 18 e os 35 anos), seguida do acesso a crédito para negócios (20%) e educação (10%) (Figura 5).
Inquéritos do Afrobarometer
O Afrobarometer é uma rede pan-africana e apartidária de investigação por inquérito, que fornece dados fiáveis sobre as experiências e avaliações dos africanos relativamente à democracia, à governação e à qualidade de vida. Desde 1999, foram já concluídas dez rondas de inquéritos em até 45 países. Os inquéritos da Ronda 10 (2024/2025) abrangem 38 países. Os Parceiros Nacionais do Afrobarometer realizam entrevistas presenciais na língua escolhida pelo respondente.
A equipa do Afrobarometer em Moçambique, liderada pela CS Research, entrevistou uma amostra probabilística aleatória, estratificada e nacionalmente representativa de 1.200 cidadãos adultos, entre Julho e Setembro de 2025. Uma amostra desta dimensão produz resultados a nível nacional com uma margem de erro de +/-3 pontos percentuais, a um nível de confiança de 95%. Inquéritos anteriores foram realizados em Moçambique em 2002, 2005, 2008, 2012, 2015, 2018, 2021 e 2022.



