Wednesday, September 9, 2026
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Yango digitaliza o acesso à informação sobre o transporte público

A Yango entrou no mercado moçambicano com uma proposta centrada na mobilidade, mas está progressivamente a ampliar o seu campo de actuação. Depois de consolidar o serviço de transporte por aplicativo, incorporar entregas, mototáxis e chapas eléctricas, a empresa prepara uma nova frente, a digitalização do transporte público.

Em entrevista à Profile, Mahomed Zameer Adam, director-geral da Yango Ride em Moçambique, explica a evolução do negócio, o papel da tecnologia na mobilidade urbana e os próximos passos da empresa.

O que é exactamente a Yango e qual é o seu posicionamento no mercado moçambicano?

A Yango é, essencialmente, uma empresa de tecnologia com vários serviços tecnológicos associados. Em Moçambique, o serviço que temos actualmente disponível é a nossa plataforma de mobilidade, que permite conectar pessoas que precisam de se deslocar com parceiros dispostos a prestar esse serviço.

Funcionamos, portanto, como um sistema de intermediação de serviços. A tecnologia permite fazer a ligação entre quem procura uma solução de mobilidade e quem está disponível para a prestar.

Mais uma participação da Yango na FACIM. Como avalia a evolução da presença da empresa na feira?

Estamos na FACIM pela terceira vez e, com muito orgulho, somos novamente o transportador oficial da feira. A nossa presença também foi crescendo ao longo dos anos.

No primeiro ano tivemos uma presença relativamente simples, com uma pequena tenda no exterior do recinto. À medida que fomos crescendo, fomos aumentando também a nossa presença. No ano passado, já assumimos um papel mais ligado à comunicação e à transformação digital.

Este ano temos novamente uma presença física no recinto e desenvolvemos outras iniciativas associadas à mobilidade durante a FACIM. Temos uma tenda onde as pessoas podem esclarecer dúvidas e também disponibilizamos um parque de estacionamento para os motoristas deixarem os passageiros que chegam à feira.

A partir desse parque, disponibilizamos dois chapas que fazem a ligação até à entrada da FACIM, permitindo que os visitantes não tenham de percorrer todo o trajecto a pé.

Paralelamente à presença na FACIM, a Yango assinou um memorando com a AMT -Agência Metropolitana de Transportes para a digitalização da informação sobre o transporte público. O que muda concretamente com esta iniciativa?

O memorando com a AMT marca uma mudança importante na forma como a informação sobre o transporte público pode ser acedida e utilizada pelos passageiros. A partir de 2 de Setembro, disponibilizamos na Yango SuperApp o serviço Transportes, que permite consultar, numa única plataforma, informação sobre rotas, paragens e horários do transporte público na Área Metropolitana de Maputo.

A primeira fase é precisamente essa, tornar digitalmente acessível a informação que já existe no sistema de transporte público. A AMT disponibiliza os dados relativos às rotas, paragens, localização das paragens e horários da rede que opera na Área Metropolitana de Maputo, e nós organizamos essa informação dentro da aplicação para que o utilizador possa consultá-la de uma forma simples.

Na prática, uma pessoa que esteja, por exemplo, no centro de Maputo e queira deslocar-se para Zimpeto, Costa do Sol, Albasine, Matola ou Boane poderá entrar na aplicação, indicar o destino e consultar as opções de transporte público disponíveis. A aplicação permite visualizar os trajectos, as paragens, os pontos de transferência, os horários e uma estimativa do tempo de deslocação, ajudando o utilizador a perceber como pode chegar ao destino antes de iniciar a viagem.

Neste caso, não se trata de transformar o transporte público num serviço de solicitação de viagens dentro da Yango?

Não. São duas funcionalidades distintas. No serviço tradicional da Yango, o utilizador solicita uma viagem e um veículo desloca-se até ao ponto de recolha. No serviço Transportes, estamos a disponibilizar informação para que a própria pessoa possa planear a sua deslocação utilizando a rede de transporte público existente.

A ideia é que o utilizador possa comparar as opções disponíveis e compreender o percurso: onde começa, quais são as paragens, onde pode fazer uma transferência, qual é o tempo estimado e quais os horários disponíveis.

Nesta primeira fase, o foco está na informação. À medida que a cooperação com a AMT evoluir, poderemos acrescentar outros dados relevantes, incluindo informação tarifária, dependendo da disponibilidade e integração desses dados.

Há ainda uma segunda fase que consideramos bastante interessante. Estamos a trabalhar para que, dependendo da instalação de equipamentos GPS nos autocarros, da infraestrutura técnica necessária e de um acordo adicional entre as partes, seja possível integrar informação em tempo real sobre a localização dos veículos.

Isso permitirá ao passageiro não apenas saber que determinado autocarro existe e qual é o seu percurso, mas também perceber onde o autocarro se encontra naquele momento e ter maior visibilidade sobre a sua circulação.

Se olharmos para a trajectória da Yango em Moçambique, que balanço faz do desempenho da empresa?

Temos crescido de forma sustentável e tivemos uma aceitação bastante significativa desde o primeiro ano.

Um dos indicadores dessa aceitação é a própria forma como as pessoas passaram a referir-se ao serviço. Muitas vezes já não dizem “vamos chamar um táxi”; dizem “vamos chamar um Yango” ou “vou de Yango”, mesmo quando o serviço que utilizam não é necessariamente o nosso.

Isso mostra o nível de reconhecimento que a marca alcançou no mercado.

Começamos com o serviço de solicitação de viagens. No segundo ano introduzimos o serviço de entregas e, posteriormente, fomos acrescentando novas soluções de mobilidade.

Durante este período também expandimos a nossa operação para Matola, Marracuene e cidade da Beira. Chegámos igualmente a lançar o serviço em Nampula, embora a operação tenha sido afectada pelas limitações na disponibilidade de combustível que surgiram pouco depois do lançamento.

Para além da mobilidade, a Yango também está a entrar no domínio da digitalização de serviços. O que representa a YangoTech nesse contexto?

Temos uma divisão de negócios chamada YangoTech, que trabalha com empresas e instituições governamentais na digitalização dos seus serviços.

Como somos uma empresa de tecnologia e temos uma aplicação bastante robusta, à medida que fomos entrando no mercado começámos também a receber solicitações de empresas e instituições interessadas em saber se conseguimos desenvolver determinadas soluções digitais.

E que tipo de serviços poderemos ver a Yango a disponibilizar em Moçambique nos próximos anos?

Podemos olhar para aquilo que já acontece noutras geografias onde a Yango está presente. Existem mercados onde temos serviços de entrega de comida, por exemplo, e outros onde existem soluções relacionadas com lavandarias.

Há também mercados onde disponibilizamos categorias de veículos mais luxuosos.

Portanto, se analisarmos o que existe nas outras geografias, é possível que, num horizonte de cinco a dez anos, alguns desses serviços possam chegar a Moçambique. Mas isso dependerá sempre do contexto económico e do nível de digitalização da população.

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