O Banco de Moçambique vai adoptar um novo regime de reservas obrigatórias que permitirá aos bancos comerciais utilizar parte dos recursos actualmente retidos para financiar empresas ligadas à substituição de importações e ao aumento das exportações.
A medida foi anunciada pelo governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), que manteve a taxa MIMO em 9,25%. A alteração do regime de reservas entrará em vigor a partir do próximo período de constituição.
Segundo Navalha, os financiamentos elegíveis poderão beneficiar de uma redução das reservas obrigatórias em moeda nacional, permitindo aos bancos canalizar uma parte desses recursos para a economia real.
A nova facilidade deverá privilegiar empresas que produzam bens actualmente importados e aquelas com capacidade de aumentar as exportações, incluindo pequenas e médias empresas.
O governador explicou que, embora a taxa de reservas obrigatórias em moeda nacional permaneça elevada, o novo mecanismo permitirá deduzir, dentro dos critérios definidos, uma parte dos recursos correspondentes aos financiamentos elegíveis.
A medida surge num contexto em que o Banco de Moçambique procura estimular a actividade económica, mantendo simultaneamente uma política monetária prudente. O banco central justifica a manutenção da MIMO em 9,25% pelos riscos e incertezas associados aos choques climáticos, às tensões geopolíticas e aos preços internacionais dos combustíveis e alimentos.
Para o sector produtivo, o novo regime poderá significar maior disponibilidade de crédito para investimento, produção e expansão das exportações, ao mesmo tempo que cria um incentivo para os bancos direcionarem financiamento para actividades consideradas estratégicas para a economia nacional.
O Banco de Moçambique deverá agora definir, através de regulamentação específica, os procedimentos e critérios para a operacionalização do mecanismo.
Fonte: Jornal Notícias



