A confiança das empresas moçambicanas recuperou no terceiro trimestre de 2026, interrompendo uma sequência de sete trimestres consecutivos de queda, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O Indicador de Clima Económico (ICE) passou de 87,4 pontos no segundo trimestre para 87,8 pontos entre Julho e Setembro, registando a primeira melhoria desde o segundo trimestre de 2024.
Segundo o INE, a recuperação foi impulsionada principalmente pela melhoria das perspectivas de emprego e da procura. Apesar da subida, o indicador permanece abaixo da média histórica, fixada em 98,8 pontos.
Por sectores, os serviços registaram a maior melhoria, com o índice de confiança a subir de 100,6 para 101,7 pontos, mantendo-se acima da média histórica. Na indústria, o indicador passou de 89,8 para 90,0 pontos, enquanto no comércio aumentou de 71,0 para 72,3 pontos, permanecendo, contudo, como o sector com menor nível de confiança.
As expectativas de procura também melhoraram pelo quarto trimestre consecutivo, com o respectivo indicador a subir de 91,6 para 92,4 pontos, impulsionado sobretudo pelos serviços e pela recuperação na indústria e no comércio.
As perspectivas de emprego seguiram a mesma tendência, passando de 81,1 para 82,9 pontos, embora ainda abaixo da média histórica de 98,6 pontos.
Já o indicador relativo às expectativas de preços de bens e serviços aumentou de 102,6 para 104,7 pontos, registando o terceiro trimestre consecutivo de recuperação.
O ambiente empresarial também apresentou alguma melhoria. A percentagem de empresas que reportaram enfrentar constrangimentos caiu de 49,8% para 44,7%, uma redução de 5,1 pontos percentuais.
Apesar disso, quase metade das empresas continua a enfrentar dificuldades, com a indústria a apresentar a maior incidência, afectando cerca de 55% das empresas. Entre os principais obstáculos estão as dificuldades de mercado, insuficiência de procura, acesso ao financiamento, custos operacionais e limitações do ambiente de negócios.
A recuperação da confiança ocorre num contexto de esforços para retomar a actividade económica após os efeitos da instabilidade social registada no final de 2024, dos eventos climáticos adversos e dos constrangimentos que continuam a afectar vários sectores produtivos.
Fonte: Lusa



