As exportações moçambicanas de madeira processada aumentaram 311% no primeiro semestre de 2026, para 24.648 metros cúbicos, contra 5.995 metros cúbicos no mesmo período do ano passado, segundo dados do Governo.
A China, Maurícias, Vietname e África do Sul foram os principais mercados de destino entre Janeiro e Junho, enquanto parte da produção foi absorvida pelo mercado interno.
O crescimento foi impulsionado sobretudo pela entrada de novos produtos nas exportações. As vendas externas de folheados atingiram 22.460 metros cúbicos, depois de não terem registado exportações no primeiro semestre de 2025. Foram ainda exportados 683 metros cúbicos de contraplacados e 150 metros cúbicos de toros.
Em contrapartida, as exportações de tábuas diminuíram 80%, para 1.119 metros cúbicos, enquanto as pranchas recuaram 10%, para 108 metros cúbicos. As peças de mobiliário também registaram uma queda de 62%, para 128 metros cúbicos.
Apesar do aumento das vendas externas, os operadores do sector continuam a apontar constrangimentos relacionados com os custos de produção, preços de compra definidos pelos mercados internacionais e custos associados à fiscalização e transporte da madeira.
A Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma) tem defendido a criação de preços de referência para os produtos florestais, ajustados às diferenças geográficas e aos custos de produção de cada província.
O sector florestal representa actualmente menos de 4% do PIB e cerca de 22 mil empregos, segundo dados oficiais anteriormente divulgados. Os operadores defendem uma revisão da legislação florestal para aumentar o processamento local, valorizar os recursos nacionais e ampliar a contribuição do sector para a economia.
O aumento das exportações ocorre num contexto de procura por maior valor acrescentado nos produtos florestais. A consolidação desta tendência dependerá, contudo, da capacidade de Moçambique aumentar o processamento interno e reduzir os custos que afectam a competitividade das empresas do sector.
Fonte: Lusa



