A confiança das empresas moçambicanas atingiu em Setembro o nível mais elevado em quase nove anos, com mais de 75% das empresas inquiridas pelo Standard Bank a preverem uma expansão da actividade nos próximos 12 meses.
O resultado surge apesar de uma ligeira deterioração das condições actuais do sector privado. O Índice de Gestores de Compras (PMI) recuou de 51,9 pontos em Agosto para 50,2 pontos em Setembro, mantendo-se, contudo, acima da marca de 50 pontos que separa a expansão da contracção da actividade empresarial.
A evolução das expectativas constitui o principal sinal positivo do inquérito. O índice de confiança para os próximos 12 meses aumentou pelo segundo mês consecutivo, atingindo o nível mais elevado desde Novembro de 2017.
Segundo o Standard Bank, mais de três quartos das empresas esperam aumentar a actividade no próximo ano, sustentadas por planos de investimento, expansão da capacidade produtiva, crescimento das vendas e conquista de maior quota de mercado.
O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, associa a melhoria das perspectivas à redução da procura de moeda estrangeira que permanece por satisfazer no mercado cambial, bem como aos avanços nos projectos de gás natural liquefeito (GNL).
A maior disponibilidade de divisas, impulsionada pelas exportações e pelo investimento estrangeiro associado aos projectos de GNL, poderá contribuir para uma recuperação gradual da actividade económica, segundo o banco.
Apesar da melhoria das expectativas empresariais, a economia moçambicana continua a enfrentar um cenário de crescimento reduzido. O Standard Bank mantém a previsão de expansão do PIB em 0,7% em 2026 e 2,3% em 2027.
O contraste entre o desempenho actual do sector privado e as expectativas para o próximo ano sugere que as empresas começam a antecipar melhores condições para investir e expandir, embora a recuperação permaneça dependente da disponibilidade de divisas, da evolução dos grandes projectos e da capacidade da economia de transformar esse investimento em actividade empresarial mais ampla.
Fonte: Carta de Moçambique



