Moçambique arrecadou 252,8 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração de gás natural na Bacia do Rovuma entre 2022 e 2025, valor considerado ainda reduzido face ao potencial esperado com a entrada em produção dos restantes projectos.
Os dados foram apresentados por Estrela Charles, membro do Comité de Supervisão do Fundo Soberano de Moçambique, durante a I Conferência Nacional da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Pedagógica de Maputo.
Segundo a responsável, a maior parte das receitas registadas até 2025 resulta do projecto Coral Sul FLNG, actualmente o único grande projecto de GNL em operação no país.
Estrela Charles alertou, contudo, que o aumento das receitas do gás não será suficiente, por si só, para garantir desenvolvimento económico. Defendeu que os recursos provenientes do sector devem ser transformados em investimento em capital humano, infra-estruturas, capacidade produtiva e instituições.
A diversificação económica deverá assumir um papel central. Agricultura, indústria transformadora, economia digital e turismo foram apontados como sectores que devem beneficiar do reinvestimento das receitas do gás.
A responsável sublinhou que o impacto dos recursos naturais deve ser medido pela melhoria efectiva das condições de vida da população, através de maior acesso à educação, saúde, emprego e oportunidades económicas.
O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, defendeu igualmente uma gestão sustentável dos recursos naturais, argumentando que o principal desafio não está apenas em explorar, mas em garantir que a riqueza gerada se transforme em desenvolvimento económico e social.
Moçambique possui importantes reservas de gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, ouro e rubis, além de elevado potencial hidroeléctrico.
Com a entrada gradual em operação de novos projectos de gás na Bacia do Rovuma, as receitas públicas deverão aumentar significativamente. O desafio será garantir que essa riqueza contribua para reduzir a dependência dos recursos naturais e fortalecer a capacidade produtiva da economia nacional.
Fonte: AIM



