A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) vai distribuir 1,9 mil milhões de meticais em dividendos aos seus accionistas, referentes ao exercício financeiro de 2026. Cada accionista receberá um dividendo bruto de 321,74 meticais por acção. O pagamento terá início a 23 de Outubro, através dos intermediários financeiros autorizados.
Terão direito aos dividendos os accionistas registados até 20 de Outubro. A distribuição foi aprovada na Assembleia-Geral anual realizada a 30 de Setembro. A CMH é detida em 70% pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), em 20% pelo Estado moçambicano e em 10% por investidores privados nacionais.
A empresa encerrou o exercício 2025/2026 com um lucro líquido de 37 milhões de dólares, cerca de 31,8 milhões de euros. O resultado representa uma queda de 20,8% face aos 46,7 milhões de dólares registados no exercício anterior.
As receitas também recuaram. O volume total caiu 12,3%, de 111,4 milhões para 97,7 milhões de dólares.
A redução foi influenciada pelo desempenho da exploração de gás natural em Pande e Temane, na província de Inhambane. A CMH detém uma participação de 25% no projecto operado pela Sasol.
O resultado operacional desta parceria caiu 23%, para 72,8 milhões de dólares. No exercício anterior, tinha atingido 94,7 milhões de dólares.
A empresa atribui a redução aos preços internacionais mais baixos e à diminuição das vendas de gás natural e condensado.
As vendas acumuladas de gás natural caíram 15,6%. Passaram de 168,4 milhões para 142,2 milhões de gigajoules.
As vendas de condensado diminuíram 11,1%. A produção média diária de gás também caiu 18%, para 402 milhões de pés cúbicos.
A produção de condensado recuou 8,4%, para 787 barris por dia.
Entre os factores que afectaram a produção estão problemas operacionais na unidade de processamento de Temane e limitações em alguns poços.
As cheias registadas em Janeiro também prejudicaram a actividade. A interrupção da circulação na Estrada Nacional Número 1 dificultou durante várias semanas o transporte de condensado.
A CMH enfrenta ainda um desafio estrutural. As reservas dos campos de Pande e Temane estão em declínio. Estes campos constituem actualmente a principal fonte de receitas da empresa. A redução das reservas deverá afectar progressivamente a produção de gás e condensado.
A administração defende, por isso, a criação de novas fontes de receitas. A estratégia passa pela identificação de novos projectos no sector dos hidrocarbonetos e em áreas complementares. O objectivo é reduzir a dependência de Pande e Temane e preparar a empresa para uma nova fase de crescimento.
Fonte: Lusa



