O Banco de Moçambique e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) retomaram o diálogo sobre os principais desafios da economia e do sector privado.
As duas instituições anunciaram um novo mecanismo para estimular o crédito às empresas. A medida pretende aumentar a produção nacional, substituir importações e promover as exportações.
O mecanismo terá uma duração de 18 meses. Permitirá aos bancos comerciais deduzir das reservas obrigatórias um valor equivalente aos novos créditos concedidos a empresas que contribuam para a substituição de importações ou o aumento das exportações.
Para o financiamento de investimentos, a taxa MIMO, actualmente fixada em 9,5%, será utilizada como referência. No financiamento de fundo de maneio será aplicada uma margem adicional.
A medida contará também com o apoio do Fundo de Garantia Mutuária. O objectivo é reduzir o risco associado ao crédito empresarial e facilitar o acesso ao financiamento.
A iniciativa surge num contexto em que o aumento da liquidez no sistema bancário ainda não se traduziu num crescimento significativo do crédito ao sector privado.
Segundo o Banco de Moçambique, mesmo com a redução das taxas de juro, o stock de crédito manteve-se relativamente estável. A instituição considera que as dificuldades de financiamento resultam não apenas do custo do dinheiro, mas também dos riscos e das limitações estruturais do mercado de crédito.
Durante o encontro, o banco central apontou para uma recuperação económica ainda lenta. Entre os principais constrangimentos estão a dívida pública interna, a fraca capacidade produtiva, os choques climáticos e políticos e a dependência de financiamento externo.
A política monetária continuará orientada para a estabilidade dos preços. Permanecem, contudo, riscos relacionados com a inflação importada, os preços dos combustíveis e alimentos, as tensões geopolíticas e a evolução da dívida pública.
Na sua última reunião, o Comité de Política Monetária manteve a taxa MIMO em 9,5%. A taxa de reservas obrigatórias em moeda nacional também permaneceu em 29%.
A CTA acolheu positivamente o novo mecanismo. A organização considera, contudo, que o impacto dependerá de critérios claros, processos rápidos e, sobretudo, da capacidade de o financiamento chegar efectivamente às pequenas e médias empresas.
O sector privado manifestou disponibilidade para colaborar na divulgação do mecanismo. A CTA pretende também ajudar a identificar projectos elegíveis e acompanhar os principais obstáculos enfrentados pelas empresas.
As questões cambiais também estiveram em discussão. O Banco de Moçambique anunciou que está a desenvolver uma plataforma para acompanhar, em tempo real, as operações cambiais dos bancos comerciais.
A ferramenta deverá monitorizar os fluxos de moeda estrangeira, a procura dos importadores e as operações dos exportadores. A implementação integral está prevista para o final deste ano.
No final do encontro, o Banco de Moçambique e a CTA acordaram estabelecer um mecanismo permanente de diálogo. A plataforma deverá permitir que as preocupações do sector privado sejam consideradas de forma regular na definição e implementação das políticas económicas.
Fonte: AIM



