A procura global por gás natural deverá continuar a crescer até à década de 2040 e estabilizar posteriormente, mantendo o combustível como uma componente relevante da matriz energética mundial nas próximas décadas. A conclusão consta do TotalEnergies Energy Outlook 2026, apresentado a 2 de Novembro.
Segundo o cenário Trends do relatório, a procura global de gás deverá passar de 4.250 mil milhões de metros cúbicos (bcm) em 2025 para 4.780 bcm em 2035, antes de recuar ligeiramente para 4.680 bcm em 2050 e permanecer nesse nível até 2060.
O crescimento será sobretudo sustentado pelos mercados emergentes, incluindo Médio Oriente, ASEAN, Índia e China, que deverão compensar uma redução moderada da procura nos países da OCDE.
Por sectores, a indústria e a geração de electricidade continuarão a ser os principais motores da procura de gás. No cenário analisado, estes dois segmentos deverão representar uma parcela crescente do consumo global ao longo do período.
O relatório também indica que o gás manterá uma participação relativamente estável na procura global de energia primária nos diferentes cenários avaliados. Mesmo num cenário de maior aceleração da transição energética, o gás continuará a desempenhar um papel na indústria e na produção de electricidade.
Esta perspectiva surge num contexto em que a electrificação e as energias renováveis avançam rapidamente. A parcela de electricidade de baixo carbono no consumo final de energia aumentou de 6% em 2015 para 9% em 2025, enquanto o investimento em tecnologias de baixo carbono tem crescido em várias categorias.
Para África, a evolução assume particular importância. O continente apresenta uma relação de investimento em tecnologias de baixo carbono face ao investimento em combustíveis fósseis de 0,9, abaixo de regiões como a Europa, onde o indicador chega a 5,7, evidenciando o desafio de mobilizar capital para expandir simultaneamente o acesso à energia e a transição energética.
No caso de países produtores como Moçambique, a perspectiva de uma procura de gás sustentada nas próximas décadas reforça a relevância económica dos recursos existentes. Ao mesmo tempo, os dados do Outlook sugerem que o desafio será integrar o gás numa transformação energética mais ampla, utilizando os recursos disponíveis para apoiar a indústria, a produção eléctrica e o desenvolvimento económico.
O próprio relatório salienta que as trajectórias energéticas serão diferentes entre regiões, à medida que os países procuram equilibrar segurança energética, acessibilidade e sustentabilidade.



