A agência responsável pela reconstrução do norte de Moçambique revela o volume de investimentos em curso e admite que a execução está em apenas 30 por cento. O tempo urge.
A Agência Integrada para o Desenvolvimento do Norte de Moçambique (ADIN) acredita que os grandes projectos económicos em curso na região, orçados em 2,3 mil milhões de dólares, impulsionarão o desenvolvimento e poderão criar até 100 mil empregos até 2029. São números que impressionam no papel. A questão é o ritmo a que a promessa se converte em realidade.
Francisco Magaia, responsável do escritório da ADIN em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, explicou que os projectos assentam numa abordagem integrada estruturada em três pilares fundamentais: assistência humanitária, estabilização e desenvolvimento económico em resposta ao impacto do terrorismo islâmico que afecta a província desde 2017. Uma arquitectura coerente na teoria, mas que exige coordenação precisa entre parceiros, governo e sector privado para funcionar no terreno.
O próprio Magaia foi o primeiro a reconhecer que há trabalho a fazer. O nível de execução do programa era de apenas 30 por cento no final de 2025, sendo agora prioridade acelerar a implementação dos projectos. Com quatro anos pela frente e 70 por cento do caminho ainda por percorrer, a margem para atrasos é estreita.
Para reforçar o controlo sobre o avanço das iniciativas, a ADIN lançou o Sistema de Gestão de Projectos do Norte (SGPN), que permite um maior acompanhamento dos parceiros em atraso e das medidas necessárias para garantir a conclusão das acções previstas. Um instrumento de monitorização é, em si mesmo, uma boa notícia mas vale pelo uso que se faz dele.
No plano do apoio directo ao tecido empresarial, a estratégia inclui mecanismos de financiamento ao sector privado através do programa Conecta Negócios e de um Fundo Catalítico de Recuperação Empresarial, que concede subsídios destinados ao relançamento de pequenas e médias empresas afectadas pela crise. Em Cabo Delgado, 23 empresas receberam recentemente financiamento inicial entre um e três milhões de meticais correspondente a 50 por cento do apoio total previsto para cada beneficiário. A segunda tranche será disponibilizada após comprovação da utilização da primeira.
A dimensão mais ambiciosa da estratégia passa pela criação de parques industriais. O Governo mapeou nove parques industriais na província de Cabo Delgado, concebidos como pólos de desenvolvimento associados aos grandes projectos extractivos e energéticos da região incluindo a exploração de gás natural na península de Afungi, a extracção de rubi em Montepuez e a mineração de grafite em Balama e Ancuabe.
O argumento central é o do efeito multiplicador. Se cada projecto-âncora empregar entre 5.000 e 20.000 trabalhadores directos, o impacto na cadeia de fornecimento de bens e serviços poderá gerar entre 20.000 e 200.000 empregos indirectos com foco particular na geração de oportunidades para os jovens da região. Os números são sedutores. Mas Cabo Delgado é uma província que já viu promessas de desenvolvimento chegarem e partirem antes de a estabilidade estar consolidada. A credibilidade da ADIN medir-se-á não pelos projectos que mapeia, mas pelos que conclui e pelas vidas que efectivamente transforma no terreno.



