Na reunião de 26 de Março de 2026, o Banco de Reserva da África do Sul (SARB) manteve a taxa repo inalterada em 6,75%, numa decisão unânime que sinaliza uma mudança clara no ciclo de política monetária da região. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, ao pressionar os preços do petróleo em alta e enfraquecer o rand, obrigou os decisores a adoptarem uma postura de espera que contraria as expectativas de início do ano.
No início de 2026, o panorama era de optimismo cauteloso. A inflação tinha-se fixado nos 3% em Fevereiro, exactamente no centro do intervalo-alvo do SARB. Economistas esperavam pelo menos dois cortes de taxa ao longo do ano. Em apenas semanas, esse optimismo evaporou-se.
O conflito no Médio Oriente transmite-se aos mercados africanos por três canais directos: o preço do petróleo, a cotação das divisas e o sentimento dos investidores internacionais. A África do Sul, como importadora líquida de combustíveis, é particularmente exposta. O rand depreciou mais de 6% face ao dólar desde o início do conflito, e os preços da gasolina e do gasóleo deverão registar aumentos históricos em Abril de 2026 com o preço do gasóleo a subir estimados 7 rands por litro.
O SARB avaliou dois cenários adversos: um conflito de curta duração (dois meses) e um prolongado (um ano). Em ambos, a inflação sobe acima dos 3% e exige taxas de juro mais elevadas para ser contida. No cenário mais adverso, a inflação pode ultrapassar os 5%, apenas regressando ao objectivo em 2028.
Para Moçambique e para os demais países da SADC dependentes de importações de combustível, as implicações são directas: custos de transporte mais elevados, pressão sobre o metical, e maior volatilidade no planeamento financeiro das empresas. A política monetária mais restritiva na África do Sul também tende a reduzir o apetite de risco dos investidores regionais, encarecendo o acesso ao crédito e ao capital nos mercados vizinhos.
A lição que este episódio reforça é estrutural: a estabilidade financeira das economias africanas está cada vez mais condicionada por choques geopolíticos além-fronteiras. Para as empresas, investidores e instituições financeiras que operam em Moçambique, planear para um ambiente de taxas de juro elevadas durante o segundo semestre de 2026 deixou de ser um cenário pessimista tornou-se o cenário base.



