O Governo moçambicano convidou a fabricante indiana Ashok Leyland a instalar uma unidade de produção de autocarros no país, com enfoque em veículos movidos a gás natural e electricidade. A iniciativa pretende impulsionar a indústria nacional de transportes, reduzir a dependência de importações e promover soluções de mobilidade mais sustentáveis.
O convite foi formulado pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante um encontro com representantes da empresa, à margem da conferência SAGARMANTHAN – Diálogo sobre os Grandes Oceanos, realizada em Nova Deli, na Índia. Segundo o Ministério, a empresa manifestou interesse em instalar uma unidade industrial em Moçambique.
Matlombe destacou a disponibilidade de gás natural e o potencial de produção de energia eléctrica como factores favoráveis ao investimento. Defendeu que uma unidade local poderá reforçar a oferta de transporte público nos municípios e melhorar as ligações entre zonas rurais com potencial agrícola e turístico e os principais centros urbanos.
O governante incentivou igualmente a empresa a apresentar propostas para converter autocarros movidos a gasóleo para gás natural. A medida visa reduzir a exposição do país às oscilações dos preços internacionais dos combustíveis.
O projecto enquadra-se nos esforços do Governo para desenvolver uma indústria nacional de montagem de autocarros, promover a transferência de tecnologia e criar emprego qualificado. Em Setembro, o Executivo lançou um processo para seleccionar um investidor privado ou parceiro estratégico para instalar e operar uma unidade de montagem de autocarros eléctricos, através de uma parceria público-privada.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes e Logística, a futura unidade deverá desenvolver capacidades nacionais de montagem, manutenção e adaptação de veículos, bem como formação técnica e integração gradual de componentes produzidos localmente. O Governo estima que a montagem nacional poderá reduzir em cerca de 40% os custos de aquisição dos autocarros.
No domínio da formação profissional, Matlombe agradeceu à Ashok Leyland pelo apoio a estágios de estudantes moçambicanos na Índia e apelou ao reforço da capacitação e contratação de trabalhadores nacionais. A eventual instalação da fábrica poderá, assim, criar oportunidades para fornecedores locais e técnicos especializados, embora ainda não tenham sido anunciados o investimento previsto, a localização da unidade ou o calendário de implementação.
A Ashok Leyland integra o grupo indiano Hinduja e é um dos principais fabricantes de veículos comerciais da Índia, com actividade internacional nos segmentos de autocarros e camiões.
Fonte: Jornal Notícias



