O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a Alemanha estabeleceram uma parceria para apoiar o desenvolvimento das redes ferroviárias africanas, reduzir os custos de transporte e reforçar a integração económica regional, num momento de crescente procura por ligações ferroviárias transfronteiriças.
A cooperação foi formalizada através de uma carta de intenções assinada pelo director do BAD para Infraestruturas e Desenvolvimento Urbano, Mike Salawou, e pelo director-geral adjunto do Ministério Federal Alemão para a Cooperação Económica e Desenvolvimento (BMZ), Michael Krake, durante o primeiro Diálogo Industrial África-Europa sobre Ferrovias, realizado à margem da feira InnoTrans.
O acordo prevê iniciativas destinadas a melhorar a interoperabilidade entre diferentes redes ferroviárias, promover soluções de transporte de baixo carbono e desenvolver políticas de mobilidade mais sustentáveis. A parceria inclui ainda programas de formação profissional e transferência de competências para fortalecer o mercado de trabalho ferroviário no continente.
A primeira iniciativa será um estudo de viabilidade para a criação de um Centro Africano de Competências Ferroviárias, a ser implementado pela agência alemã GIZ, com lançamento previsto para Outubro de 2026. O centro deverá combinar formação, inovação e desenvolvimento de competências para apoiar a modernização e expansão das redes ferroviárias africanas.
Corredor de Nacala entre projectos estratégicos
Na apresentação, Mike Salawou destacou vários investimentos apoiados pelo BAD no sector ferroviário, incluindo o Corredor de Nacala, em Moçambique, além do Corredor do Lobito, do programa ferroviário de bitola padrão na África Oriental, do Corredor Norte-Sul da Argélia e de projectos ferroviários em Marrocos, Senegal e Nigéria.
A referência ao Corredor de Nacala coloca Moçambique no centro da agenda africana de desenvolvimento de infraestruturas ferroviárias orientadas para o comércio regional. A melhoria da ligação ferroviária entre zonas de produção, centros logísticos e portos pode reduzir custos, facilitar o movimento de mercadorias e aumentar a competitividade das exportações moçambicanas.
A aposta ganha relevância num continente cuja rede ferroviária representa actualmente apenas 8% a 10% da rede ferroviária mundial, apesar de África contar com um mercado de mais de 1,4 mil milhões de pessoas. A implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) deverá aumentar a procura por infraestruturas capazes de facilitar o comércio transfronteiriço.
Cinco prioridades para o sector
O BAD identificou cinco prioridades para acelerar a transformação ferroviária africana: criação de um mercado continental integrado, expansão do transporte ferroviário, adopção de normas interoperáveis, mobilização de financiamento capaz de atrair capital privado e desenvolvimento de competências para operar e manter as infraestruturas.
Para Salawou, a construção das linhas ferroviárias representa apenas uma parte do desafio. “Construir uma ferrovia é metade do trabalho. Operá-la é a parte mais difícil”, afirmou.
O responsável defendeu, por isso, que os governos e as autoridades ferroviárias estabeleçam uma visão clara, realizem estudos de viabilidade credíveis, avancem com reformas regulatórias e ofereçam maior segurança aos investidores.
Por sua vez, a indústria europeia deverá privilegiar parcerias de longo prazo, conteúdo local e transferência de competências, em vez de se limitar ao fornecimento de equipamentos. O BAD indicou que poderá apoiar os projectos através de garantias, financiamento misto e assistência técnica.
Fonte: Diario Económico



