O governo prevê concluir, até ao final deste ano, a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), uma instituição financeira que surge em resposta à necessidade de conceder financiamentos de médio e longo prazo a projectos estruturantes ligados à industrialização e valorização dos recursos nacionais.
A informação foi avançada pelo Coordenador de Reformas do Ministério da Economia e Finanças, João Macaringue, em entrevista a AIM, durante a sessão de socialização do projecto, realizada hoje (27), em Maputo, a margem dos debates em curso na FACIM 2025, num evento que juntou representantes de instituições nacionais, empresários e parceiros internacionais.
Segundo a fonte, o país encontra-se ainda na fase inicial de auscultação pública. “Estamos a dar o kickoff do processo. O próximo passo será percorrer todas as províncias, recolher contributos, sistematizar e submeter o projecto ao Conselho de Ministros, para depois avançar para aprovação final no Parlamento”, explicou.
De acordo com o coordenador, o objectivo é legalizar o banco até Dezembro próximo, bem como aprovar pela Assembleia da República, prevendo-se o início em 2026 a fase de implementação. “A decisão é que, até ao final deste ano, tenhamos o banco aprovado pelo Parlamento, para que o próximo ano se inicie a implementação”, garantiu.

O modelo de governação inspira-se em experiências de países vizinhos, como África do Sul e Namíbia, que partilharam práticas e lições aprendidas durante a socialização. Estiveram presentes representantes do DBSA (Development Bank of Southern Africa) e do Business Finance da Namíbia, incluindo o antigo CEO do Banco de Desenvolvimento da Namíbia.
Segundo o coordenador, um dos pontos centrais do projecto é garantir independência do banco e transparência na gestão, evitando interferência política. “O estudo aponta para a necessidade de uma estrutura de governação que inclua agências de desenvolvimento, assegurando credibilidade e alinhamento com os grandes objectivos nacionais”, destacou.
Para o governo, o Banco de Desenvolvimento será determinante para transformar o discurso sobre o potencial de Moçambique em riqueza concreta para os cidadãos. “Temos gás, carvão, rios que atravessam o país e uma posição geoestratégica única, mas tudo isso só pode ser explorado se houver capacidade de investir e transformar recursos em valor”, frisou.
O responsável defendeu ainda que a instituição deverá ser capaz de atrair capitais internacionais para complementar os limitados recursos internos. “Um país como o nosso não pode criar sozinho um banco desta dimensão. Precisamos agregar capitais de várias instituições de desenvolvimento e adaptá-los à realidade económica de Moçambique”, afirmou.
Nesse sentido, foram mencionadas instituições como o DBSA e outras entidades internacionais que poderão vir a ser parceiras estratégicas.
Especialistas sublinham que o banco terá um papel crucial na mobilização de financiamento de longo prazo para sectores prioritários, como energia, agricultura, transportes, habitação e industrialização. A sua criação representa um passo decisivo para que o país deixe de depender apenas de receitas de exportação de matérias-primas e avance para a transformação local e geração de valor interno.
“Este banco vai permitir que Moçambique passe do potencial para resultados tangíveis”, concluiu o coordenador de reformas.
(AIM)