O Banco de Moçambique considera que a actividade industrial continua condicionada pela paralisação da Mozal, maior unidade industrial do país.
A avaliação consta do mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, referente a Setembro.
Segundo o banco central, a recuperação da economia continua, mas o sector secundário permanece pressionado pela suspensão das operações da Mozal.
A unidade, uma das maiores fundições de alumínio de África, está parada desde Março. A empresa encontra-se actualmente em regime de manutenção e conservação. A paralisação ocorreu depois de meses de negociações sobre o custo da energia eléctrica necessária para manter a produção.
A South32, empresa australiana que controla a Mozal, considerou insustentável a tarifa proposta para o fornecimento de energia. A empresa defendia um preço máximo próximo de 51 dólares por megawatt-hora, contra uma proposta de cerca de 100 dólares.
Antes da suspensão, a Mozal produziu 248 mil toneladas de alumínio no exercício terminado em Junho, menos 30% face ao período anterior. As vendas recuaram 22%, para 275 mil toneladas.
Entre Abril e Junho, primeiro trimestre completo após a suspensão, a Mozal não registou produção. As vendas foram asseguradas exclusivamente através dos stocks existentes.
A paralisação representa também custos elevados para a empresa. A South32 estima encargos extraordinários de cerca de 104 milhões de euros, incluindo indemnizações aos trabalhadores e ajustamentos contabilísticos relacionados com matérias-primas e inventários.
A empresa já admitiu a possibilidade de retomar a produção caso sejam reunidas condições energéticas e económicas viáveis.
Entretanto, a Industrial Development Corporation da África do Sul, que detém 32,48% da Mozal, lançou em Junho um concurso para contratar consultores independentes.
O objectivo é avaliar uma eventual aquisição da participação maioritária da South32 e analisar a viabilidade do reinício das operações. O Banco de Moçambique alerta ainda para outros riscos sobre a economia.
Entre eles estão a inflação importada, a volatilidade dos mercados internacionais e as oscilações dos preços de produtos essenciais.
As tensões geopolíticas também poderão afectar as cadeias de abastecimento, os custos de transporte e os preços das matérias-primas.
O banco central aponta igualmente para os riscos associados a fenómenos climáticos extremos, incluindo o El Niño. Estes poderão afectar a produção agrícola, os preços dos alimentos e a actividade económica.
As necessidades de financiamento do Estado e a acumulação de atrasados nos pagamentos constituem outros factores de preocupação.
Segundo o Banco de Moçambique, estes constrangimentos poderão afectar a liquidez do sistema financeiro, as condições de acesso ao crédito e a confiança das empresas.
Fonte: Lusa



