O Banco de Moçambique prevê uma aceleração do crescimento económico para 5,9% em 2027, depois de uma expansão estimada em 4,4% para este ano. A instituição projecta, entretanto, uma inflação anual de 8,52% em Dezembro de 2026.
As projecções constam do mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, referente a Setembro, no qual o banco central considera que a economia deverá manter uma trajectória gradual de recuperação, sustentada sobretudo pelo desempenho dos sectores primário e terciário e pelo aumento da actividade associada aos grandes projectos de gás natural.
Para 2027, o cenário central aponta para um crescimento de 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB), num contexto de estabilidade macroeconómica e recuperação da actividade produtiva. A previsão permanece, contudo, dependente da evolução da economia internacional, da execução dos grandes investimentos e da capacidade de recuperação de alguns sectores.
A estimativa representa uma melhoria face ao crescimento projectado para 2026 e surge depois de a economia ter registado uma expansão homóloga de 4,7% no segundo trimestre deste ano.
O desempenho trimestral foi impulsionado principalmente pelo sector primário, com destaque para a agricultura e a indústria extractiva. A agricultura beneficiou da normalização das condições de produção em várias regiões, enquanto a actividade extractiva continuou a ser sustentada pela exploração de carvão mineral e outros recursos naturais.
Os serviços também contribuíram para o crescimento, sobretudo os transportes, comunicações, comércio e actividades ligadas à circulação de mercadorias e pessoas. O banco central registou ainda uma evolução positiva nos sectores de alojamento e restauração e noutros serviços destinados às empresas e às famílias, reflectindo uma recuperação gradual da procura interna.
Inflação continua a representar um risco
No domínio dos preços, o Banco de Moçambique indica que a inflação anual desacelerou para 7,95% em Agosto, contra 8,46% em Julho.
Apesar desta redução, a instituição prevê uma aceleração da inflação nos próximos meses, estimando que a taxa anual atinja 8,52% em Dezembro de 2026.
A evolução deverá ser influenciada pelo aumento dos preços internacionais de alguns produtos, pela dissipação dos efeitos favoráveis associados à época fresca e por factores externos.
A médio prazo, contudo, o banco central espera uma nova desaceleração da inflação, apoiada pela manutenção da política monetária e pela estabilidade do mercado cambial.
As perspectivas permanecem condicionadas pela evolução dos preços internacionais, pelos custos logísticos globais e pelos riscos associados ao contexto geopolítico internacional.
Fonte: Lusa



