O Banco Mundial prevê que a economia moçambicana cresça apenas 0,6% em 2026, depois de uma contracção de 0,2% no ano passado, ao mesmo tempo que a inflação deverá acelerar de 4,4% para 7,5%, segundo a edição de Outubro do Africa’s Pulse, divulgada esta terça-feira.
A deterioração das perspectivas coloca Moçambique entre os países da África Subsaariana com maior agravamento da inflação, num contexto marcado pela subida dos preços internacionais dos combustíveis, alimentos e fertilizantes e por fortes restrições orçamentais. A nível regional, o Banco Mundial prevê que a inflação mediana passe de 3,7% em 2025 para 5,5% este ano.
O desempenho económico moçambicano contrasta com a recuperação esperada para a região. O Banco Mundial reviu em alta a previsão de crescimento da África Subsaariana para 4,3% em 2026, contra 4,1% em 2025 e 4,0% anteriormente projectados para este ano. As previsões foram melhoradas para quase três quartos dos países da região.
Dívida continua a limitar economia
Para Moçambique, um dos principais factores de risco continua a ser a situação das finanças públicas. O Banco Mundial considera que o país permanece em situação de sobre-endividamento, com a dívida pública estimada em 94,6% do PIB no final de 2026, podendo ultrapassar 100% do PIB no próximo ano.
O aumento da pressão sobre a dívida reduz a margem do Estado para financiar investimento público e responder a choques económicos. O próprio Banco Mundial alerta, a nível regional, que os elevados custos do serviço da dívida estão a limitar despesas em áreas como saúde, educação e infra-estruturas.
O relatório refere ainda que Moçambique efectuou pagamentos de cerca de 700 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI) até Março, abrindo espaço para negociações de um eventual novo programa. Contudo, ainda não foi concluído um quadro de reestruturação da dívida, enquanto os pagamentos do serviço da dívida interna continuam a ser adiados e refinanciados através da emissão de novos títulos.
Angola acelera, Moçambique abranda
Enquanto Moçambique enfrenta uma perspectiva de crescimento praticamente estagnado, Angola deverá crescer 4,5% em 2026, depois de 3,1% em 2025. A previsão representa uma das revisões mais significativas na região.
O Banco Mundial atribui parte do desempenho angolano à força da actividade económica no segundo trimestre, quando o PIB cresceu 8,74% em termos homólogos, bem como ao aumento das receitas de exportação e das entradas de divisas associadas aos preços do petróleo.
A inflação em Angola, por sua vez, deverá cair de 20,2% em 2025 para 10,3% este ano.
Para Moçambique, a combinação de baixo crescimento, inflação crescente e elevado endividamento representa um dos principais desafios para a política económica. O Banco Mundial alerta ainda que novos choques geopolíticos poderão elevar os preços das matérias-primas, intensificar a inflação e deteriorar as contas externas e orçamentais.
Fonte: Jornal Económico



