Profile Mozambique: Como descreve a evolução e o posicionamento da EY Moçambique ao longo destes mais de 30 anos de actividade no país?
Bruno Dias: A EY é uma das quatro maiores firmas de serviços profissionais a nível mundial, presente em mais de 150 países, e em Moçambique conta já com uma história de mais de três décadas.
Durante este percurso, construímos uma presença sólida e sustentável, marcada por um crescimento constante e pelo reforço contínuo da qualidade dos nossos serviços de auditoria, consultoria, assessoria fiscal e transacional.
Orgulhamo-nos de ter acompanhado e apoiado o país e o sector privado em momentos decisivos de transformação e modernização da economia nacional, contribuindo para a adopção de melhores práticas de governação, transparência e eficiência empresarial.
Hoje, mantemos o compromisso de permanecer ao lado das empresas moçambicanas, como parceiro estratégico para enfrentar novos desafios e potenciar oportunidades de desenvolvimento económico e social.
PM: Que prioridades estratégicas orientam este novo ciclo de liderança da Ernst & Young Moçambique?
BD: Na EY Moçambique, iniciamos este novo ciclo de liderança com uma estratégia assente em três grandes prioridades: inovação, talento e proximidade ao mercado.
Em primeiro lugar, reforçamos o compromisso com a inovação tecnológica, procurando integrar soluções digitais que tornem os nossos serviços mais ágeis, seguros e alinhados com os desafios de transformação digital que também os nossos clientes enfrentam.

Em segundo lugar, colocamos um foco renovado no desenvolvimento e retenção de talento moçambicano, investindo fortemente em formação contínua, certificações internacionais e programas de mobilidade que permitem expor as nossas equipas às melhores práticas globais.
Por fim, mantemos como prioridade estratégica a proximidade ao tecido empresarial e institucional, apoiando empresas e sectores-chave da economia nacional em processos de crescimento sustentável, governação corporativa e adaptação a novas exigências regulatórias e de mercado.
PM: Como a sua experiência pessoal e trajectória profissional influenciam a abordagem que pretende imprimir à EY Moçambique?
BD: A minha experiência de mais de 25 anos, repartida entre grandes firmas como a EY e projectos próprios em ambientes empreendedores, permite-me conjugar solidez e agilidade na gestão. Aliada ao conhecimento adquirido em mercados emergentes, essa trajectória reforça a visão de liderar a EY Moçambique com proximidade, flexibilidade e elevado rigor técnico, contando com uma equipa preparada para responder aos desafios do mercado nacional.
PM: Como avalia o actual ambiente de negócios em Moçambique e quais são, na sua visão, os principais desafios e oportunidades para o sector privado?
BD: O ambiente de negócios em Moçambique tem atravessado momentos complexos, marcados recentemente por alguma instabilidade social e por uma contracção económica no primeiro trimestre deste ano, que registou uma redução do PIB em cerca de 3,9%.
Entre os principais desafios imediatos destaco a questão cambial e da disponibilidade de divisas, que carece de uma abordagem estruturada, bem como a necessidade de um maior controlo da dívida pública por parte do Estado.

Apesar deste contexto, considero que estamos a chegar a um ponto de viragem, com sinais que permitem encarar o futuro com optimismo. O reinício dos grandes projectos de gás natural representa um catalisador importante para dinamizar a economia no curto prazo, embora devamos evitar depender excessivamente deste sector, preservando capacidade de crescimento sustentável noutras áreas estratégicas.
De forma geral, mantenho uma visão optimista sobre o potencial do país, acreditando que existirão novas oportunidades para os investidores privados e para o fortalecimento do tecido empresarial moçambicano.
PM: Que sectores da economia moçambicana a EY identifica como prioritários para impulsionar o crescimento nos próximos anos?
BD: Na nossa visão, o sector energético, incluindo os grandes projectos de gás natural e iniciativas em energias renováveis, representa um importante catalisador para a economia moçambicana no curto prazo.
Contudo, para sustentar um crescimento equilibrado e de longo prazo, identificamos como prioritário o investimento em infraestruturas, nomeadamente a criação de um corredor estruturante norte-sul, que permita melhor integrar as diferentes regiões do país e potenciar a circulação de bens e serviços, especialmente considerando que a capital está localizada no extremo sul.
Destacamos igualmente a importância estratégica do sector primário, com enfoque na agricultura, que é a base económica de Moçambique, e cuja modernização e dinamização poderão ter efeitos directos na redução da pobreza e na criação de emprego.
Por outro lado, defendemos que a industrialização deve ser uma prioridade clara, alicerçada em planos diretores robustos, capazes de promover a transformação local e o aumento do valor acrescentado nacional.
PM: Que contributo a EY pretende dar no apoio às empresas moçambicanas na sua preparação para desafios como ESG (Ambiental, Social e Governança), digitalização e integração em cadeias de valor globais?
BD: A EY pretende apoiar as empresas moçambicanas a preparar-se para os desafios de ESG, digitalização e integração em cadeias de valor globais, alinhando-se à estratégia internacional All In, que coloca estes vectores no centro do nosso crescimento.
Em Moçambique, já desenvolvemos projectos de modernização no sector privado e no Estado, incluindo iniciativas apoiadas pelo Banco Mundial para digitalizar a função pública. Queremos ser parceiros estratégicos neste processo, trazendo conhecimento global adaptado à realidade local.
Paralelamente, apostamos na formação de jovens moçambicanos em áreas como inteligência artificial e cibersegurança, integrando-os em equipas internacionais para desenvolver projectos de referência, contribuindo assim para o fortalecimento de competências técnicas no país.
PM: Que visão de longo prazo projecta para a EY Moçambique no seu mandato? Há intenção de expandir áreas de actuação ou desenvolver novos serviços?
BD: A visão de longo prazo para a EY Moçambique passa por reforçar os serviços tradicionais, como auditoria e consultoria fiscal, mas sobretudo por expandir para áreas estratégicas como a digitalização, consultoria tecnológica e serviços de BPO.
Com esta aposta, pretendemos não só modernizar a nossa oferta, mas também tornar-nos um parceiro ainda mais próximo do crescimento e eficiência operacional dos nossos clientes no país.
PM: Quais são as principais iniciativas de responsabilidade social que a EY Moçambique tem implementado, especialmente no apoio ao empreendedorismo feminino e às organizações locais?
BD: A EY desenvolve várias acções de responsabilidade social através do programa global Ripples, apoiando de forma discreta instituições e pequenas associações locais. Destacamos ainda a iniciativa Be Like a Woman, que entra agora numa nova edição e visa apoiar e capacitar jovens empresárias moçambicanas, contribuindo para o seu crescimento profissional e para o fortalecimento do empreendedorismo feminino no país.

Saiba mais aqui: EY Moçambique