Os projectos Coral North FLNG (Área 4, offshore), liderado pela Eni, e Mozambique LNG (Área 1, onshore), operado pela TotalEnergies, apresentam perfis distintos em termos de capacidade produtiva, risco de segurança e retorno económico para o Estado moçambicano, de acordo com dados disponíveis sobre investimento, receitas esperadas e impacto local.
O projecto Coral North, de natureza offshore, terá uma capacidade de produção anual entre 3,55 e 3,6 milhões de toneladas de GNL, com o início das operações previsto para 2028. O investimento estimado situa-se entre 7 e 7,2 mil milhões de dólares, com receitas fiscais e económicas projectadas em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo de 25 anos de exploração.
Segundo as projecções, o rácio entre receitas governamentais e investimento atinge cerca de 3,19 vezes, posicionando o Coral North como um dos projectos de maior eficiência financeira no portefólio do gás natural em Moçambique. Em termos de conteúdo local, o projecto deverá gerar mais de 3 mil milhões de dólares em contratos para empresas moçambicanas, o que corresponde a um rácio de 0,42 vezes face ao investimento total.
Do ponto de vista da segurança, a localização offshore do Coral North reduz significativamente a exposição a riscos de insurgência armada em Cabo Delgado, sendo considerada uma opção estratégica enquanto a situação de segurança na região se consolida. O projecto deverá gerar emprego especializado no sector offshore, embora em menor escala quando comparado com empreendimentos em terra firme.

Já o Mozambique LNG, localizado em Afungi, Cabo Delgado, apresenta uma escala substancialmente maior, com capacidade instalada de 13 milhões de toneladas anuais, distribuídas por duas linhas de liquefação, com possibilidade de expansão futura. O início da produção está agora projectado para 2029, após sucessivos atrasos provocados por constrangimentos de segurança que culminaram na declaração de força maior em 2021.
O investimento inicial do projecto rondava os 20 mil milhões de dólares, tendo sido revisto em alta em cerca de 4 mil milhões de dólares, elevando o custo total para aproximadamente 24 mil milhões de dólares. As receitas acumuladas para o Estado moçambicano poderão atingir 35 mil milhões de dólares ao longo da vida útil do projecto, o que se traduz num rácio de retorno de cerca de 1,46 vezes face ao capital investido.

Em termos de impacto local, o Mozambique LNG destaca-se pela criação de até 7.000 postos de trabalho durante a fase de construção, pela atribuição de mais de 4 mil milhões de dólares em contratos a empresas nacionais e pela constituição de uma fundação de desenvolvimento socioeconómico avaliada em 200 milhões de dólares. Ainda assim, o rácio de conteúdo local situa-se em cerca de 0,17 vezes em relação ao investimento total.
A análise comparativa indica que, embora o Mozambique LNG apresente o maior impacto económico agregado, com receitas estimadas superiores em 12 mil milhões de dólares face ao Coral North, o projecto offshore liderado pela Eni evidencia maior eficiência financeira, com um retorno sobre o investimento mais do dobro do registado pelo projecto onshore.
Por: Herinques Maculuve e Simão Djedje
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Fontes Consultadas: Lusa – https://www.aman-alliance.org/Home/ContentDetail/88352?utm_



