Monday, September 28, 2026
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Energia solar: estará Moçambique a preparar um novo sector industrial?

A energia solar ainda representa uma parcela pequena da produção eléctrica de Moçambique, mas os novos investimentos começam a criar algo mais importante do que capacidade de geração: um mercado empresarial em torno das energias renováveis.

No primeiro semestre de 2026, a produção solar atingiu 52.576 MWh, mais 6,4% em relação ao mesmo período de 2025. A contribuição para a matriz eléctrica continua modesta, representando 0,7% da produção nacional, mas o crescimento ocorre num momento em que o Governo procura diversificar as fontes de energia e acelerar o acesso à electricidade.

O sinal mais relevante está, porém, no investimento que começa a ser mobilizado. A canadiana JCM Power foi seleccionada para desenvolver a central solar de Manje, em Tete, com 30 MW, através do PROLER, programa criado para atrair produtores independentes de energia através de concursos competitivos.

O mesmo programa prevê cerca de 120 MW de projectos de energia renovável através de concursos competitivos. Em 2026, foi também lançado um processo para uma central solar de 30 MW no Dondo, em Sofala, com uma exigência de forte participação local.

É aqui que a energia solar começa a adquirir uma dimensão empresarial.

Mais do que construir centrais

A construção de grandes parques fotovoltaicos cria procura por engenharia, construção civil, transporte, segurança, logística, instalação eléctrica, serviços ambientais e manutenção. Mas as oportunidades não terminam quando uma central começa a produzir.

Um mercado solar de maior dimensão necessita de empresas capazes de fornecer operações e manutenção, equipamentos eléctricos, sistemas de controlo, baterias, software, serviços de engenharia e soluções de gestão energética.

O próprio mercado energético moçambicano já apresenta oportunidades identificadas em áreas como serviços EPC, componentes de transmissão e distribuição, software de gestão da rede e sistemas inteligentes de medição.

Para as empresas nacionais, a questão será conseguir transformar estes projectos em contratos e competências permanentes, em vez de limitar a participação local às fases de construção.

O desafio: criar empresas, não apenas importar equipamentos

O crescimento do mercado não garante automaticamente o desenvolvimento de uma indústria nacional.

Grande parte dos equipamentos utilizados nos projectos solares ainda é importada. O desafio para Moçambique será criar condições para que uma parcela crescente do valor fique no País através de empresas de engenharia, montagem, distribuição, manutenção, serviços técnicos e, progressivamente, produção ou montagem de determinados componentes.

A própria UNDP identificou recentemente a necessidade de melhorar o ambiente de investimento nas mini-redes solares, trabalhando com instituições públicas e empresas privadas para reduzir riscos e aumentar a confiança dos investidores.

Isto coloca o conteúdo local no centro da expansão solar. A oportunidade não está apenas em contratar empresas moçambicanas para executar trabalhos; está em desenvolver competências que permitam a essas empresas competir por contratos, dominar tecnologia e criar serviços exportáveis para outros mercados da África Austral.

Um novo ecossistema empresarial

Se a expansão prevista se concretizar, o sector solar poderá gerar um ecossistema que vai muito além dos produtores de electricidade.

Desenvolvedores de projectos, bancos, seguradoras, empresas de engenharia, construtoras, distribuidores, instaladores, empresas de software, operadores de mini-redes, fabricantes ou montadores de equipamentos, empresas de manutenção e instituições de formação técnica poderão encontrar novos mercados.

O PROLER está a criar uma porta de entrada para grandes investidores privados. A expansão das mini-redes e dos sistemas solares está a criar outra para PME. E a crescente procura por soluções de energia mais previsíveis poderá abrir uma terceira frente junto das empresas e da indústria.

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