A petrolífera italiana Eni formalizou, esta quinta-feira, em Maputo, a Decisão Final de Investimento (FID) para o desenvolvimento do projecto Coral Norte, a segunda unidade flutuante de gás natural liquefeito (FLNG) na bacia do Rovuma. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (equivalente a 456 mil milhões de meticais), o empreendimento consolida a posição de Moçambique como um dos protagonistas emergentes do mercado global de gás natural.
Localizado na Área 4 do Rovuma, o Coral Norte será operado pela Eni em nome da Rovuma Mozambique Venture (MRV), consórcio que integra ainda a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC). O plano prevê a instalação de uma infra-estrutura flutuante com capacidade de produção de 3,55 milhões de toneladas anuais de GNL, seis poços de exploração e arranque operacional projectado para 2028. A unidade terá igualmente capacidade para produzir 4.300 barris diários de condensado, tornando Moçambique o 14.º maior exportador mundial de GNL e o 4.º em África, com ambição de ascender ao 3.º lugar, atrás apenas da Nigéria e da Argélia.

De acordo com Estêvão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), o projecto assegurará ao Estado moçambicano receitas estimadas em 23 mil milhões de dólares (cerca de 1,4 biliões de meticais) ao longo de três décadas, provenientes de impostos e outras contribuições. Ademais, 25 por cento do gás extraído será destinado ao mercado interno, enquanto a totalidade do condensado será utilizada para geração de energia, sob gestão da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), criando novas oportunidades de industrialização e contribuindo para a redução da dependência energética externa.
Falando à margem do DFI, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a criação de 1.400 empregos directos para moçambicanos, a serem garantidos por um plano de sucessão orientado para o reforço da qualificação e da disponibilidade de mão-de-obra nacional no sector de petróleo e gás. Por outro lado, está prevista a atribuição de contratos no valor de 3 mil milhões de dólares (190 mil milhões de meticais) a empresas moçambicanas, reforçando o impacto do conteúdo local e multiplicando por quase quatro os 800 milhões alcançados no Coral Sul.

O plano de desenvolvimento do Coral Norte havia sido aprovado em Abril deste ano, sendo apontado pelo Executivo como de impacto estratégico para a economia nacional. A iniciativa representa a segunda fase de exploração do campo Coral, na sequência do sucesso do Coral Sul, que entrou em produção em 2022 e posicionou Moçambique no mapa energético mundial.
Durante a sua intervenção, o CEO da Eni, Cláudio Descalzi, sublinhou que o Coral Norte vai “projectar Moçambique no panorama global do gás natural”, reforçando o peso do país entre os grandes exportadores mundiais. O gestor destacou ainda que o Coral Norte “duplicará os benefícios já trazidos pelo Coral Sul”, elevando as receitas conjuntas dos dois projectos de 16 para 23 mil milhões de dólares e expandindo significativamente o investimento em conteúdo local.
Estudos divulgados em 2024 pela consultora Deloitte indicam que as reservas de gás natural liquefeito de Moçambique, com projectos liderados pela Eni, TotalEnergies e ExxonMobil, têm potencial para gerar cerca de 100 mil milhões de dólares em receitas no longo prazo.
Neste contexto, o Coral Norte surge não apenas como um investimento de vulto, mas também como um marco que reforça a confiança internacional no sector energético moçambicano, tornando-se peça central da estratégia nacional de transformação económica e de desenvolvimento sustentável.



