Tuesday, October 20, 2026
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Forvis Mazars destaca infra-estruturas como chave para o futuro energético de África

A Forvis Mazars apresentou a edição de 2026 do relatório “Powering Africa’s Future 2026: Infrastructure, Energy Security and the Energy Transition in Africa”, que analisa os principais desafios e oportunidades do sector energético africano. O estudo foi lançado no contexto da African Energy Week 2026, na Cidade do Cabo.

O relatório coloca as infra-estruturas no centro do desenvolvimento energético de África. Redes eléctricas, interligações regionais, gasodutos, refinarias, sistemas de armazenamento e portos são apontados como elementos essenciais para transformar os recursos naturais em valor económico.

Segundo o estudo, África tinha cerca de 1,49 mil milhões de habitantes, 991 TWh de produção de electricidade e 82,4 GW de capacidade renovável instalada em 2025. Apesar do crescimento do sector, as limitações de infra-estruturas continuam a dificultar o acesso a energia fiável e a integração dos mercados.

Produção deixa de ser o único foco

A análise identifica uma mudança na estratégia dos países produtores de petróleo e gás. O foco começa a passar do simples aumento da produção para a criação de maior valor dentro dos próprios países.

Refinação, petroquímica, logística e conteúdo local ganham importância. O relatório aponta investimentos como a refinaria Dangote, na Nigéria, como exemplos da possibilidade de transformar recursos naturais em maior valor económico.

A transição energética também está a ganhar ritmo. As fontes renováveis representaram aproximadamente 27,5% da produção de electricidade africana em 2025, com a energia solar e eólica entre as tecnologias que registam maior crescimento.

Minerais críticos criam nova oportunidade

O estudo destaca ainda o potencial dos minerais críticos africanos. Cobalto, cobre, lítio, grafite e manganês podem contribuir para novas cadeias industriais.

Para isso, será necessário avançar para actividades como processamento, refinação, produção de baterias e tecnologias associadas. A transformação local poderá permitir que os países africanos capturem uma parcela maior do valor gerado pelos seus recursos.

As conclusões apresentam particular relevância para Moçambique, que dispõe de importantes recursos de gás natural e minerais críticos. O desafio passa por desenvolver infra-estruturas capazes de ligar esses recursos à indústria, aos mercados e às cadeias regionais de valor.

A perspectiva apresentada pela Forvis Mazars reforça também a importância de combinar energia, infra-estruturas, tecnologia e industrialização. Para países como Moçambique, esta integração poderá ser determinante para transformar grandes projectos de recursos naturais em benefícios económicos mais amplos.

O relatório defende, em síntese, que os recursos naturais representam apenas o potencial. É o investimento em infra-estruturas, integração e capacidade de processamento que permite transformar esse potencial em desenvolvimento económico.

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