O Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM) defende a modernização e formalização do sector postal. A medida ganha importância com o crescimento do comércio electrónico e da procura por serviços de entrega mais rápidos e seguros.
A posição foi apresentada no primeiro Fórum dos Operadores Postais de Moçambique, realizado em Maputo, a 9 de Outubro. O encontro reuniu operadores e outros intervenientes para discutir os desafios do sector na era digital.
Actualmente, Moçambique conta com 38 operadores postais licenciados. Contudo, o transporte e a entrega informal de encomendas continuam a representar um desafio para o regulador. Segundo o INCM, algumas pessoas prestam serviços de entrega através de plataformas digitais sem as licenças exigidas. A situação levanta questões relacionadas com a fiscalização, segurança dos serviços e protecção dos consumidores.
Tecnologia e cobertura
Massingue Apala, administrador executivo do INCM responsável pela Regulação, Regulação do Mercado e Estatística, defende maior investimento tecnológico no sector. A expansão da cobertura geográfica também é considerada necessária. O regulador aponta ainda a cooperação entre operadores como factor importante para melhorar os serviços. O responsável destacou o papel crescente dos serviços postais nas cadeias logísticas e no comércio electrónico. A actividade contribui também para aproximar pessoas e empresas dos mercados.
Regulamentação exige implementação
O INCM já dispõe de instrumentos como a Estratégia de Desenvolvimento do Sector Postal. Entre as medidas estão também o Regulamento de Segurança Postal e o Regulamento sobre a Prestação e Exploração dos Serviços Postais.
Euclides dos Santos, chefe do Departamento Postal do INCM, defendeu uma aplicação efectiva destas regras. Para o responsável, a existência de legislação não é suficiente para transformar o sector. A informalidade continua, segundo o INCM, entre os principais obstáculos à organização do mercado. Mesmo quando utilizam plataformas digitais licenciadas, os prestadores devem possuir as licenças adequadas para exercer actividades postais.
Rastreio de encomendas
O fórum abordou igualmente a necessidade de melhorar o rastreio de encomendas. Os operadores defendem maior partilha de informação ao longo da cadeia de distribuição.
Nuno Rangel, director executivo da Rangel Logistics Solutions, defendeu que os consumidores devem ter acesso a informação fiável sobre as suas encomendas. O acompanhamento deverá incluir prazos e actualizações durante o processo de entrega.
Dário Nuvunga, da Portador Diário, apontou o baixo investimento como uma barreira à inovação tecnológica. Defendeu mecanismos de financiamento para projectos tecnológicos e sugeriu uma plataforma comum de rastreio de encomendas.
Custos e integração digital
Os participantes discutiram ainda os custos elevados de entrega para zonas remotas. O comércio electrónico internacional e a integração entre operadores postais e plataformas digitais também estiveram em análise.
Outra proposta em discussão foi a criação de uma associação dos operadores postais. A estrutura poderá reforçar a representação do sector e promover soluções conjuntas.
Realizado no Dia Mundial dos Correios, o fórum teve como tema “Reforçar o diálogo, a cooperação e a associação para o desenvolvimento do mercado postal de Moçambique”. O INCM pretende, através desta iniciativa, promover um sector postal mais organizado e competitivo. O objectivo é aumentar a capacidade de resposta às novas exigências da economia digital.
Fonte: TechAfrica News



