Monday, February 16, 2026
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Maputo, afirma-se como principal polo financeiro em Moçambique

Capital reúne a fatia dominante de agências, agentes bancários, ATM e POS, confirmando o seu peso estrutural no sistema financeiro nacional.

Maputo cidade e província consolida-se como o principal polo de acesso a serviços financeiros em Moçambique. Os dados mais recentes do Banco de Moçambique (BdM) indicam que a capital concentra a maior parte das infraestruturas e canais de distribuição bancária, desde agências físicas e agentes bancários até caixas automáticas (ATM) e terminais de pagamento automático (POS).

De acordo com o Relatório de Inclusão Financeira do BdM, Maputo Cidade representa, isoladamente, 32,01% das agências bancárias do país e 29,55% dos ATM instalados. No que respeita aos POS, fundamentais para a digitalização dos pagamentos, a capital absorve 41,29% do total nacional. Já Maputo Província reforça este peso com quotas relevantes, designadamente 23,38% das agências de microbancos e cooperativas de crédito e 26,52% das instituições seguradoras.

No conjunto, os números confirmam uma concentração estrutural da oferta financeira na região sul, em particular na área metropolitana da capital, onde se localizam as sedes das principais instituições e onde se regista maior densidade empresarial e rendimento médio.

Intermediação e capilaridade

O dinamismo de Maputo não se limita às agências tradicionais. A cidade lidera igualmente na rede de agentes bancários (23,14%) e nas representações de instituições financeiras (53,90%), refletindo a crescente aposta dos bancos na expansão por via de canais alternativos e modelos de proximidade.

Este movimento acompanha uma tendência mais ampla de modernização do sistema financeiro moçambicano, assente na digitalização e na expansão dos serviços móveis. Segundo o BdM, a diversificação dos canais, incluindo agentes, microbancos e instituições de moeda eletrônica, tem sido determinante para aumentar os níveis de inclusão financeira, sobretudo em zonas periurbanas e rurais.

Ainda assim, a assimetria regional permanece evidente.

Desigualdades territoriais persistem

Fora do eixo da capital, províncias como Nampula, Zambézia e Sofala apresentam quotas intermédias em vários indicadores, beneficiando da sua dimensão populacional e relevância económica regional. Contudo, territórios como Niassa, Cabo Delgado e Gaza registam participações significativamente inferiores na maioria dos pontos de acesso.

Niassa, por exemplo, representa apenas 4,12% das agências e 1,62% dos POS do país. Cabo Delgado, apesar da sua importância estratégica e dos projetos ligados ao gás natural, mantém níveis modestos de presença física bancária (2,60% das agências de microbancos e cooperativas de crédito).

Este padrão espelha não apenas diferenças demográficas e económicas, mas também constrangimentos infra-estruturais e desafios de segurança que condicionam a expansão da rede financeira em determinadas regiões.

Inclusão financeira: avanços e desafios

Nos últimos anos, Moçambique tem registado progressos relevantes nos indicadores de inclusão financeira, impulsionados pela expansão da banca móvel e dos serviços digitais. O BdM sublinha que a estratégia nacional de inclusão financeira tem promovido o alargamento da rede de agentes e o reforço dos meios de pagamento eletrónicos, em linha com as recomendações de organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

Contudo, a forte concentração em Maputo coloca desafios em matéria de coesão territorial. Especialistas defendem que a massificação dos canais digitais poderá mitigar parte destas disparidades, reduzindo a dependência de infraestruturas físicas e acelerando o acesso a serviços financeiros em regiões de menor densidade.

Para já, os dados confirmam uma realidade inequívoca, Maputo é o epicentro financeiro do país. O desafio para os próximos anos será transformar o crescimento quantitativo em inclusão qualitativa, garantindo que o acesso aos serviços financeiros se expanda de forma mais equilibrada por todo o território nacional.

Fonte: Banco de Moçambique, Relatório de Inclusão Financeira.

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