A maioria dos Moçambicanos está insatisfeita com a forma como o governo gere os recursos naturais, com o nível de participação das comunidades locais na extracção de recursos naturais e com a quantidade de informação que o público recebe sobre a utilização das receitas provenientes dos recursos naturais, segundo o mais recente inquérito do Afrobarometer.
A maioria dos cidadãos afirma que os investidores estrangeiros, o governo e os altos funcionários políticos são os que mais beneficiam dos recursos naturais do país. Menos de um quinto dos respondentes acredita que são os cidadãos quem mais beneficia dos recursos naturais do país.

Principais conclusões
1A maioria (56%) dos Moçambicanos afirma que o governo está a fazer um trabalho “razoavelmente” ou “muito” mau na gestão dos recursos naturais (Figura 1).
2Quando questionados sobre quem beneficia mais dos recursos naturais do país, os cidadãos referem os investidores estrangeiros (29%), o governo (28%) e os altos responsáveis políticos (19%). Apenas 18% acreditam que os cidadãos comuns são os que mais beneficiam dos recursos naturais (Figura 2).
3Os residentes no Sul do país tendem mais a afirmar que os investidores estrangeiros são os maiores beneficiários (35%), enquanto os do Norte apontam com maior frequência para o governo do país (36%). No Centro, um quarto (26%) dos respondentes afirma que o povo Moçambicano é quem mais beneficia (Figura 3).
4A maioria dos respondentes (74%) afirma estar “pouco satisfeita” ou “nada satisfeita” com o nível de participação das comunidades locais na extração de recursos naturais (Figura 4).
5A mesma proporção (74%) manifesta insatisfação com a quantidade de informação que o público recebe sobre a forma como o dinheiro proveniente dos recursos naturais é utilizado (Figura 5). A insatisfação é particularmente forte entre os residentes urbanos (80%), os cidadãos com maior nível de escolaridade (80%), os jovens (77%) e os homens (76%).
Inquéritos do Afrobarometer
O Afrobarometer é uma rede de investigação pan-africana e apartidária que fornece dados fiáveis sobre as experiências e avaliações africanas em matéria de democracia, governação e qualidade de vida. Desde 1999, foram realizadas 10 rondas de inquéritos em até 45 países. Os inquéritos da 10.ª Ronda (2024/2025) abrangem 38 países. Os Parceiros Nacionais do Afrobarometer realizam entrevistas presenciais na língua escolhida pelo respondentes.
A equipa do Afrobarometer em Moçambique, liderada pela CS Research, entrevistou uma amostra probabilística estratificada, aleatória e representativa a nível nacional de 1.200 cidadãos adultos entre Julho e Setembro de 2025. Uma amostra desta dimensão produz resultados a nível nacional com uma margem de erro de +/- 3 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. Foram realizados inquéritos anteriores em Moçambique em 2002, 2005, 2008, 2012, 2015, 2018, 2021 e 2022.








