Moçambique adiou para 2027 a conclusão da Central Térmica de Temane (CTT), uma infra-estrutura energética a gás com capacidade de 450 megawatts, devido ao aumento significativo dos custos de construção e a constrangimentos operacionais que comprometeram o calendário inicial do projecto.
A informação foi avançada pela empresa promotora, a Globeleq, em comunicado corporativo, indicando que a entrada em funcionamento da central inicialmente prevista para finais de 2023 sofrerá um atraso superior a dois anos.
Segundo o director nacional e de desenvolvimento de negócios da empresa, Samir Sale, vários factores concorreram para o adiamento, incluindo eventos climáticos extremos, tensões sociais pós-eleitorais e a saída do empreiteiro original responsável pelas obras. O custo estimado do projecto, inicialmente fixado em cerca de 652 milhões de dólares, registou um aumento substancial, estando ainda em curso uma avaliação financeira detalhada. O Governo analisa mecanismos para mitigar o impacto orçamental decorrente do agravamento dos custos.
O cronograma começou a deteriorar-se quando a construtora espanhola TSK, contratada após o fecho financeiro em 2021, abandonou o estaleiro em Abril de 2024. Para assegurar a continuidade das obras, a empresa turca Enka İnşaat assumiu, no final do ano passado, um contrato avaliado em 159 milhões de dólares para concluir os trabalhos remanescentes. À chegada da nova empreiteira, o projecto encontrava-se aproximadamente 70% executado.
A CTT deverá produzir energia ao abrigo de um contrato de compra de energia com a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), injectando electricidade directamente na rede nacional a partir da sua entrada em operação comercial prevista para 2027.
A central será abastecida com gás natural proveniente dos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, explorados pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos em parceria com a Sasol. Actualmente, grande parte da produção destes campos é exportada para a África do Sul através do gasoduto ROMPCO, sendo apenas uma fracção destinada ao consumo interno, sobretudo industrial.
Moçambique dispõe de reservas recuperáveis estimadas em cerca de 150 biliões de pés cúbicos de gás natural, resultantes das descobertas efectuadas entre 2010 e 2011. Contudo, os grandes campos offshore na província de Cabo Delgado permanecem, em grande medida, orientados para exportação e pouco utilizados para a geração de energia doméstica.
Entre os principais projectos energéticos do país destaca-se ainda o empreendimento de gás natural liquefeito liderado pela TotalEnergies, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, cuja implementação foi suspensa em 2021 devido à insegurança na região, tendo sido formalmente reactivado apenas recentemente.
O Governo moçambicano mantém como meta alcançar acesso universal à electricidade até 2030. Em 2024, a taxa de cobertura situava-se em cerca de 60%, com fortes disparidades entre zonas urbanas onde o acesso ronda 75% e áreas rurais, onde permanece próximo de 5%. Com presença em vários países africanos, a Globeleq detém cerca de 1.800 megawatts de capacidade instalada em sete mercados do continente, posicionando-se como um dos principais investidores privados no sector energético regional. A conclusão da Central Térmica de Temane é considerada estratégica para reforçar a segurança energética nacional e reduzir a dependência de importações de electricidade, ao mesmo tempo que potencia o aproveitamento interno dos recursos de gás natural do país.



