O Governo moçambicano lançou um concurso internacional para seleccionar um investidor privado para instalar e operar uma fábrica de montagem de viaturas no País, através de uma parceria público-privada (PPP).
O projecto, promovido pelo Ministério dos Transportes e Logística, prevê que a unidade comece por produzir autocarros, podendo posteriormente expandir-se para a montagem de outros tipos de veículos e equipamentos. As manifestações de interesse deverão ser submetidas até 19 de Outubro de 2026.
A futura fábrica pretende reforçar a capacidade nacional de transporte público, apoiar a renovação da frota e reduzir a dependência da importação de viaturas. O Governo espera igualmente que o projecto contribua para a criação de emprego qualificado, transferência de tecnologia e desenvolvimento de competências industriais.
Entre as soluções consideradas estão veículos movidos a gás natural comprimido (GNC), sem excluir tecnologias híbridas, eléctricas ou outras alternativas de menor emissão que sejam técnica e economicamente viáveis para Moçambique.
O investidor seleccionado deverá assumir o desenho, financiamento, instalação, equipamento, operação e desenvolvimento da unidade. O projecto prevê ainda o desenvolvimento progressivo de capacidades nacionais em montagem, manutenção, adaptação de veículos, formação técnica, integração de componentes produzidos localmente e serviços pós-venda.
A iniciativa surge depois de o Governo ter autorizado, em Junho, o lançamento do concurso para a instalação da fábrica. Na altura, o Executivo estimou que a produção local poderia contribuir para uma redução de cerca de 40% nos custos de aquisição de autocarros, além de estimular a industrialização e a substituição de importações.
O projecto também poderá criar uma nova cadeia industrial em torno do sector automóvel, envolvendo fornecedores de componentes, oficinas, empresas de manutenção, formação profissional e outros serviços especializados.
A aposta na montagem de viaturas surge ainda num contexto de interesse de investidores estrangeiros pelo mercado moçambicano. Em Março, o Governo revelou que a empresa chinesa SG Automotive Group Co. estava a estudar a instalação de uma unidade de montagem, incluindo autocarros eléctricos, com potencial para criar até 3.000 postos de trabalho. O Parque Industrial de Moamba chegou a ser apontado como uma possível localização.
Com o novo concurso, o desafio passa agora por transformar o interesse em investimento efectivo e criar uma base industrial capaz de responder não apenas às necessidades do transporte nacional, mas também de desenvolver fornecedores e competências locais.



