Os Estados Unidos da América confirmaram oficialmente o seu apoio ao projecto de exploração de terras raras de Monte Muambe, na província de Tete, operado pela Altona Rare Earths, através da U.S. Trade and Development Agency (USTDA). A iniciativa visa diversificar as cadeias globais de abastecimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China, que actualmente controla cerca de 70% da produção mundial destas matérias-primas, equivalente a cerca de 3,7 milhões de toneladas, de acordo com Business Insider Africa.
O apoio norte-americano insere-se numa estratégia mais ampla de Washington, orientada para a criação de fontes alternativas de minerais estratégicos, essenciais para a indústria de defesa, tecnologias limpas, veículos eléctricos, turbinas eólicas e manufactura avançada. Segundo Cedric Simonet, CEO da Altona Rare Earths, “o compromisso da USTDA é uma poderosa validação externa da qualidade estratégica e do potencial económico do projecto de Monte Muambe, evidenciando o forte interesse de uma instituição governamental norte-americana em desenvolver uma fonte segura de terras raras”.

O projecto, avaliado em 276,3 milhões de dólares, prevê a produção de cerca de 15.000 toneladas anuais de carbonato misto de terras raras ao longo de 18 anos, com estudos de pré-viabilidade em curso para optimizar os números finais. A concretização do projecto posiciona Moçambique como actor relevante no mercado global de minerais críticos, ao mesmo tempo que oferece oportunidades para atracção de investimento, transferência de tecnologia e criação de emprego.
Para além de Moçambique, os Estados Unidos têm vindo a apoiar iniciativas semelhantes em África. Em Angola, a Pensana busca financiamento de até 160 milhões de dólares do U.S. Export-Import Bank para o projecto de Longonjo. Na África do Sul, o projecto de Phalaborwa recebeu apoio através de um subsídio da U.S. Development Finance Corporation (DFC), em parceria com a TechMet. Na República Democrática do Congo, Washington assinou em Dezembro de 2025 uma parceria estratégica de mineração, incluindo a aquisição de 40% das minas de cobre-cobalto Mutanda e Kamoto pelo Orion Critical Mineral Consortium, num investimento avaliado em cerca de 9 mil milhões de dólares.
Analistas destacam que o envolvimento norte-americano reflecte a crescente importância de África na arquitectura global de fornecimento de minerais críticos, num contexto em que as grandes potências procuram reduzir vulnerabilidades nas cadeias de valor e fortalecer a segurança económica. Estima-se que o continente possa fornecer até 9% das terras raras globais até 2029, consolidando a sua posição estratégica no mercado internacional.
Com este apoio, Moçambique reforça a sua presença no mapa global de recursos estratégicos, num sector que poderá assumir um papel determinante no futuro da economia mundial, consolidando o país como um ponto-chave na diversificação do fornecimento de minerais críticos e na transição para tecnologias verdes.



