Friday, January 23, 2026
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MOZAL: Incerteza energética ameaça continuidade da operação

Moçambique e South32 mantêm negociações sobre o futuro da MOZAL, mas incerteza energética ameaça continuidade da operação Maior indústria transformadora do país poderá suspender actividades em Março de 2026, caso não se garanta fornecimento eléctrico estável e acessível.

A multinacional australiana South32, detentora da Mozal, confirmou que continua em negociações com o Governo de Moçambique, no sentido de assegurar a continuidade das operações da fundição de alumínio, considerada o maior empregador industrial do país. Contudo, a empresa admite que, caso não se chegue a um entendimento até Março de 2026, a actividade será suspensa temporariamente.

“Apesar dos nossos esforços, as negociações não evoluíram ao ponto de garantir um fornecimento suficiente e a preços acessíveis de energia eléctrica para além de Março de 2026”, lê-se no relatório trimestral divulgado esta terça-feira (21 de Outubro) pela South32. O documento acrescenta que, sem o fornecimento necessário, a Mozal “será colocada em regime de manutenção e conservação no final do actual contrato”.

A companhia indica que mantém contactos “activos e permanentes” com o Governo de Moçambique, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa sul-africana Eskom, responsável pela compra de energia à HCB e venda à Mozal. O objectivo, segundo a mineradora, é “garantir um acordo de fornecimento suficiente e financeiramente viável”, capaz de assegurar a sustentabilidade da operação.

Produção em alta, mas futuro incerto

O relatório revela que a produção vendável da Mozal aumentou 3% no terceiro trimestre de 2025, totalizando 93 mil toneladas de alumínio, operando “próxima da sua capacidade técnica máxima”. No entanto, a empresa interrompeu em Agosto o processo de revestimento das cubas de fundição, devido à incerteza quanto ao fornecimento eléctrico após Março de 2026.

Para o exercício fiscal de 2026, a previsão de produção mantém-se em 240 mil toneladas, baseada na continuidade das operações até ao termo do contrato de fornecimento de energia.

Governo garante empenho e diálogo

O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, assegurou em conferência de imprensa, no final de Agosto, que o Governo “continuará a valorizar a Mozal e a negociar condições que garantam a sua permanência no país, salvaguardando os interesses de ambas as partes”.

Impissa confirmou que o Executivo está ciente dos riscos associados à situação, incluindo o cancelamento de contratos com fornecedores e as implicações para o emprego, mas sublinhou que “esses constrangimentos não resultam directamente das negociações em curso”.

A Mozal anunciou em Agosto a redução de investimentos e o despedimento de empreiteiros contratados, mantendo apenas as operações essenciais até Março. Dias depois, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) denunciou o cancelamento súbito de contratos com cerca de 20 empresas nacionais, afectando pelo menos mil trabalhadores.

Importância económica e desafios energéticos

A Mozal representa quase metade do consumo de energia produzida em Moçambique e contribui com cerca de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do seu peso económico, o Governo considerou recentemente “extremamente baixa” a contribuição fiscal da empresa, manifestando intenção de rever os acordos vigentes.

O fornecimento eléctrico à Mozal é assegurado pela Eskom da África do Sul, que compra 66% da produção da HCB. No entanto, o Executivo moçambicano pretende reverter esta dependência e repatriar parte da energia actualmente exportada, no âmbito da Estratégia de Transição Energética até 2050, que prevê que, a partir de 2030, a energia de Cahora Bassa seja prioritariamente destinada ao consumo interno.

Contexto e impacto nacional

O possível encerramento da Mozal teria fortes repercussões económicas e sociais, afectando milhares de empregos directos e indirectos e reduzindo a arrecadação fiscal. Localizada nos arredores de Maputo, a fundição é considerada um pilar da indústria transformadora nacional e símbolo da cooperação económica entre Moçambique e a Austrália.

Apesar da incerteza, a South32 reafirmou a sua “vontade de permanecer em Moçambique” e de “trabalhar com todas as partes interessadas para encontrar uma solução sustentável que garanta o futuro da Mozal”.

Fontes: South32 / Lusa / Conselho de Ministros / CTA

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