Sexta-feira, Agosto 29, 2025
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Produção Nacional: Gás de cozinha chega em 2026

Moçambique poderá iniciar, até ao princípio de 2026, a produção nacional de gás de cozinha em Inhassoro, província de Inhambane, num passo decisivo para reduzir a dependência externa e promover o acesso doméstico a energia limpa, segundo anunciou o Governo.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, confirmou que o projecto de produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) em Inhassoro está em fase final de conclusão e deverá entrar em funcionamento entre Dezembro de 2025 e o início de 2026. A implementação sofreu atrasos devido às manifestações pós-eleitorais, que afectaram infra-estruturas e colocaram em risco a segurança das equipas no terreno.

“Contamos que até ao final do ano ou princípio do próximo começará a funcionar”, afirmou Pale na cidade da Maxixe.

Este projecto integra-se no Projecto Integrado de Gás e Energia de Temane, que envolve a instalação de uma central térmica com 450 megawatts e a construção de uma unidade de produção de GPL com capacidade anual de 30 mil toneladas. O investimento inclui ainda uma linha de transporte de energia com 563 quilómetros entre Temane e Maputo.

Redução das Importações e Transição Energética

O GPL produzido internamente será um factor de transformação no acesso à energia doméstica em Moçambique. O Governo estabeleceu a meta de reduzir em 70% as importações de gás de botija, incentivando a utilização de fontes energéticas mais limpas e sustentáveis.

“O objectivo é disponibilizar às famílias uma alternativa acessível e ambientalmente responsável”, frisou o ministro.

Com esta medida, espera-se também contribuir para a mitigação do desmatamento, promovendo a substituição progressiva do uso de lenha e carvão vegetal no consumo doméstico.

Articulação Público-Privada

O projecto resulta de um acordo de partilha de produção entre o Governo de Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Sasol, numa parceria que visa acelerar a industrialização energética nacional.

No mesmo evento, o ministro Pale reiterou que estão a ser criadas as condições para a retoma do Projecto Mozambique LNG, em Afungi, esperando-se que a TotalEnergies levante a cláusula de “força maior” em breve. O Presidente Daniel Chapo reafirmou, nesse contexto, o compromisso do Governo em garantir um ambiente estável e favorável ao investimento.

O início da produção de gás de cozinha em Inhassoro simboliza um passo estratégico para a autonomia energética de Moçambique e uma resposta prática aos desafios da transição para fontes mais limpas. A concretização deste projecto poderá significar uma revolução no consumo doméstico, com impacto social, ambiental e económico profundo.

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