O BCI acolheu, esta Terça-feira (15), no seu Auditório, em Maputo, o Workshop sobre Perspectivas Económicas e Empresariais para 2026, uma iniciativa organizada em estreita articulação com a Câmara de Comércio e Indústria França–Moçambique (CCIFM) e a AmCham Moçambique. Com estes parceiros, o Banco partilha uma visão comum: contribuir activamente para o fortalecimento do tecido empresarial e para o desenvolvimento sustentável do país.
O evento reuniu empresários, parceiros e clientes, contando com a participação de figuras de destaque, entre as quais a Directora-Geral da CCIFM, Crystelle Coury, a Directora Executiva da AmCham Moçambique, Nélia Gomes, e o Director Central de Mercados Financeiros do BCI, Hugo Costa, que apresentou uma análise detalhada das perspectivas económicas e empresariais. O workshop promoveu um debate aprofundado sobre os desafios actuais do país, tanto ao nível micro como macroeconómico.
Na qualidade de anfitrião, o Administrador do BCI, Luís Aguiar, destacou: “para o BCI, é um privilégio promover e acolher iniciativas desta natureza. Temos assumido, de forma proactiva e consistente, um posicionamento claro de proximidade ao sector empresarial, afirmando-nos como um parceiro de referência das empresas e dos empresários moçambicanos. Reiteramos, assim, o nosso compromisso com o desenvolvimento económico de Moçambique, convictos de que encontros como este reforçam capacidades, estimulam a inovação e apoiam decisões mais informadas no seio das organizações”.
Na sua intervenção, Hugo Costa sublinhou que Moçambique se encontra numa encruzilhada crítica, exigindo, simultaneamente, o alívio das pressões fiscais, a aceleração do crescimento económico e o reforço da coesão social. Destacou que estas dimensões devem evoluir de forma coordenada para assegurar um desenvolvimento sustentável.
Como factores de suporte, apontou o crescimento económico positivo, ainda que moderado, a abundância de recursos naturais, as perspectivas de transformação associadas a projectos estruturantes de gás natural e energia, a localização geoestratégica privilegiada do país, a inflação relativamente controlada, e um sector bancário estável, com níveis sólidos de capitalização e liquidez.
Num outro desenvolvimento, alertou para fragilidades estruturais por considerar no curto e médio prazo, nomeadamente o elevado nível de dívida pública e a limitada margem fiscal, a escassez de divisas, a dependência de fluxos externos, a reduzida diversificação da economia e as pressões sobre o emprego, o rendimento e a estabilidade social, num contexto marcado pela predominância do sector informal.
Referiu ainda que, no último trimestre de 2025, a economia registou um crescimento de cerca de 4,67%, após quatro trimestres consecutivos de contracção, entre o último trimestre de 2024 e o terceiro trimestre de 2025. Ainda assim, salientou que, nos últimos sete a oito anos, o crescimento médio rondou os 3%, aquém do esperado para uma economia em desenvolvimento.

O workshop reforçou a importância de um diálogo contínuo entre o sector financeiro, as associações empresariais e os decisores económicos, como condição essencial para enfrentar desafios estruturais e potenciar as oportunidades que se colocam ao país.



