A agência internacional de notação financeira Fitch Ratings rebaixou o rating de incumprimento do emissor de longo prazo em moeda estrangeira de Moçambique de ‘CCC’ para ‘CC’, um nível que sinaliza risco muito elevado de incumprimento e maior proximidade de falha no pagamento das obrigações financeiras do Estado.
Na sua avaliação, a Fitch considera agora provável a reestruturação do único eurobônus em circulação, tendo em conta o agravamento das condições financeiras e a trajectória da dívida pública. A agência sublinha que a decisão surge num contexto de intenção manifestada pelas autoridades moçambicanas de iniciar diálogo com credores sobre eventuais operações de dívida, incluindo possíveis trocas que impliquem perdas para investidores.
Mesmo sem esse cenário, a Fitch alerta para um risco elevado de evento de crédito, seja através de uma reestruturação associada a um programa do Fundo Monetário Internacional, seja por incumprimento caso esse apoio não se materialize ou não seja cumprido.
O rating continua a reflectir dificuldades estruturais de financiamento, com défices fiscais persistentes, níveis elevados de dívida pública e acumulação de atrasos no serviço da dívida. Em 2025, os atrasos atingiram cerca de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), evidenciando pressões de liquidez no sector público. O défice fiscal é estimado em 4,6% do PIB, acima da média de países com classificação semelhante.
A Fitch projeta que a dívida pública permaneça acima de 90% do PIB entre 2026 e 2027, com crescimento da componente interna, que poderá atingir cerca de 40%, elevando os custos de financiamento e os riscos de sustentabilidade.
Apesar do cenário adverso, a agência reconhece factores de mitigação, incluindo as perspectivas de desenvolvimento do gás natural liquefeito a partir de 2028, a redução das tensões políticas e a continuidade dos fluxos de investimento directo estrangeiro.
Fonte: Reuters



