A Tempus está em Moçambique desde 2014. Como é que o mercado evoluiu nestes anos, e o que os trouxe a este país?
A Tempus chegou a Moçambique em 2014, inicialmente como corretora de seguros. Vimos um país com enorme potencial, jovem, com uma população com muita vontade de crescer, e uma expectativa concreta de grandes investimentos nos sectores de recursos naturais.
Acreditamos que podíamos agregar valor. Hoje somos uma das maiores corretoras de seguros de Moçambique, com uma especialização muito forte na área de benefícios aos trabalhadores. Com o tempo, a nossa presença foi-se alargando para a consultoria de capital humano e para a inteligência de mercado.
As informações que recolhemos em Moçambique são hoje partilhadas a nível regional com muitas das multinacionais que participam na nossa pesquisa. Isso diz muito sobre a qualidade do que produzimos e sobre o que o mercado moçambicano tem para oferecer quando existe informação séria e estruturada disponível.
A Tempus opera numa interseção pouco comum entre benefícios corporativos, seguros, dados e consultoria de recursos humanos. Que vantagem competitiva resulta desta abordagem integrada?
A nossa abordagem é única precisamente porque nos permite chegar ao cliente com muito mais pontos de informação do que qualquer actor isolado consegue. Quando vamos a uma empresa, temos ao mesmo tempo o conhecimento de recursos humanos, o conhecimento técnico de benefícios e seguros e a visão do mercado.
Para usar uma imagem simples, tomar uma decisão com cinco pontos de informação ou com vinte e cinco não é a mesma coisa. A segunda opção pode ser mais complexa, mas tem muito mais probabilidade de estar certa. Outro aspecto que diferencia esta abordagem integrada é a capacidade de cruzar sectores.
Um banco não compete apenas com outros bancos pelo mesmo talento, um analista financeiro pode trabalhar numa mineradora, numa empresa de petróleo e gás ou numa instituição financeira. A Tempus dá às empresas essa visão transversal do mercado de talento, que a maioria ainda não tem.
II. O MOMENTO ACTUAL
A Tempus tem vindo a produzir pesquisas nacionais sobre benefícios e gestão de capital humano envolvendo centenas de empresas. Que tendências mais relevantes esses dados revelam sobre o mercado de trabalho moçambicano?
O que os dados mostram com clareza é que o pool de talentos em Moçambique é finito e as empresas estão a competir por ele de forma cada vez mais intensa. A nossa pesquisa mede algo a que chamamos EVP, Employee Value Proposition, a proposta de valor que cada organização oferece ao seu trabalhador. Isso vai muito além do salário. Inclui benefícios, políticas internas, ambiente de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, cultura.
O que têm vindo a revelar cinco anos de dados é que as empresas com um EVP bem definido e bem comunicado perdem menos pessoas, gastam menos em recrutamento e têm equipas mais produtivas. Antes desta pesquisa, um director de recursos humanos que quisesse saber quantas empresas em Moçambique oferecem seguro de vida simplesmente não conseguia essa informação. Hoje consegue. E isso muda completamente a qualidade das decisões que se tomam.
O tema da retenção de talento tornou-se crítico em vários sectores. O que é que os profissionais valorizam hoje para além do salário?
Os benefícios são fundamentais, isso já é muito claro. Mas o que as novas gerações procuram vai mais longe, querem equilíbrio de vida, plano de carreira, e sentir que a sua voz é escutada dentro da organização. Uma empresa que não valoriza o trabalhador ou que este não se sente valorizado, esse trabalhador sai.
E é público e notório que é muito mais caro contratar do que manter. No contexto de Moçambique, com grandes investimentos previstos em vários sectores, o talento qualificado vai ser cada vez mais perseguido. A empresa que se preparar agora com um EVP claro, bem estruturado e comunicado de forma transparente, vai ter uma vantagem significativa quando essa competição se intensificar. As que esperarem e não se prepararem terão mais dificuldades em manter seu pessoal e poderão gastar mais do que gastariam caso a estrutura esteja montada.
Até que ponto as empresas moçambicanas já utilizam dados para tomar decisões estratégicas sobre capital humano?
O profissional moçambicano é muito competente. O problema é que durante anos tomou decisões com informação insuficiente, não por falta de capacidade, mas porque os dados simplesmente não existiam. Fazer uma pesquisa de mercado é extremamente caro, e as que existiam não eram suficientemente granulares para serem relevantes a nível local.
O que a Tempus fez foi tornar esse acesso possível, sem custo para quem participa. A troca é simples, a organização partilha os seus dados e recebe em troca um benchmark completo do mercado. Hoje, um director de recursos humanos consegue chegar ao seu PCA com dados concretos, por exemplo: “oitenta por cento dos concorrentes oferecem determinado benefício”, “o nosso índice de rotação está acima da média”, “a nossa pesquisa de clima interno revela um número elevado de detratores”. Isso muda completamente a qualidade do diálogo dentro das organizações.
III. VISÃO & FUTURO
Q6. Que leitura faz do futuro de Moçambique e do papel que a Tempus quer ter nesse percurso?
Acreditamos muito em Moçambique. Do ponto de vista geopolítico e económico, os grandes parceiros internacionais do país, na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia, na América Latina, vão precisar do que Moçambique tem para produzir: alimentos, gás, minérios, terras raras. Isso só aumenta as oportunidades.
Os próximos cinco anos vão ser determinantes. Vai haver muita transformação, muito crescimento, e também muitos desafios, incluindo o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. A Tempus quer fazer parte desse percurso de forma positiva, ajudando as organizações a tomar melhores decisões sobre os seus colaboradores, contribuindo para ambientes de trabalho mais justos e mais produtivos, e colocando informação de qualidade ao serviço de um mercado que tem muita sede dela.



