A Bureau Veritas está presente em Moçambique há várias décadas, operando de Pemba a Tete, prestando serviços que ajudam empresas a garantir que os seus produtos, serviços e processos cumprem normas de segurança, qualidade, requisitos legais e obrigações contratuais aplicáveis aos seus negócios. A empresa actua como uma entidade independente de terceira parte, responsável pela realização de inspecções, testes e certificações em diferentes sectores de actividade.
Os seus serviços abrangem várias indústrias. No sector da Energia e Petróleo, a Bureau Veritas inspecciona equipamentos, tubulações e instalações para garantir segurança operacional e conformidade ambiental. Na área de Portos e Logística, realiza inspecções de cargas, certificação de contentores e verificação da conformidade com regulamentações internacionais de transporte. Já no sector da Agricultura e Agroindústria, desenvolve testes de produtos agrícolas, certificação de segurança alimentar e conformidade com requisitos dos mercados de exportação. Paralelamente, a empresa certifica sistemas de gestão das organizações com base em normas publicadas pela ISO e outras entidades, incluindo sistemas de gestão da qualidade, ambiente e segurança, segurança alimentar e segurança da informação, entre outros.
A Bureau Veritas inaugurou em Julho de 2025 um laboratório de análise de água no Porto da Matola, acreditado pelo SADCAS. Essa foi uma aposta deliberada da operação moçambicana, ou uma resposta a uma procura que já existia e que a empresa ainda não conseguia servir?
Foi na verdade uma resposta a uma procura que já existia pois com a localização do laboratório fora de maputo, o tempo de resposta aos nossos clientes não era dos melhores. Repisando que este laboratório foi como que transferido de Moatize para Maputo. O mesmo existia para atender uma demanda específica de um cliente e com o aumento de demanda foi estratégico mudar para maputo por conta da logistica.
II. MOMENTO ACTUAL & MERCADO
Para além das inspecções industriais e da certificação ISO, o sector de ensaios, inspecção e certificação em Moçambique cobre um espectro muito mais amplo. Que leitura faz do mercado no seu conjunto, o que já funciona, o que ainda falta e o que está a travar o progresso?
Trata-se de um mercado em crescimento, que ainda necessita de maior desenvolvimento e maturação. Entre os segmentos que têm apresentado maior dinamismo destacam-se as certificações ISO básicas, sobretudo entre empresas que procuram conformidade para exportação ou para responder a requisitos específicos dos seus clientes. Observa-se igualmente um crescimento da conformidade ambiental, impulsionado pela actualização das regulações locais e pela crescente pressão de investidores internacionais, bem como uma procura crescente por certificação de pessoal nos sectores de energia, construção, transportes e oil & gas. Paralelamente, aumenta também a necessidade de certificação de equipamentos, com o objectivo de garantir segurança operacional em ambientes de elevado risco.
Existem, contudo, inúmeras oportunidades para expandir o sector e gerar maior impacto, nomeadamente através do reforço da cobertura geográfica, do desenvolvimento de competências técnicas nas províncias para reduzir custos de mobilização e logística, da sensibilização das empresas locais sobre o valor das certificações e do respectivo retorno de investimento, bem como da actualização regulatória e harmonização com padrões internacionais. Em relação aos factores que tornam o progresso mais lento, destacam-se elementos estruturais e culturais, como o reduzido conhecimento das empresas sobre certificações, a escassez de especialistas certificados localmente, a necessidade de investimentos consideráveis, muitas vezes inviáveis para empresas nacionais e uma cultura de conformidade predominantemente reactiva, em que os serviços só são procurados quando impostos por exigências externas ou regulamentares.
III. PESSOAS, CULTURA & LIDERANÇA
A Bureau Veritas Moçambique foi reconhecida entre as melhores empresas para trabalhar em 2025. Esse reconhecimento vem de fora. Internamente, o que é que a operação moçambicana fez de diferente nos últimos dois anos para merecer esse resultado e o que é que ainda falta melhorar?
É realmente impressionante que a BV Moçambique tenha sido reconhecida entre as melhores empresas para trabalhar em 2025. Isso não é acidental, reflecte decisões estratégicas deliberadas.
Acredito eu que este factor veio de factores tais como Investimento em Pessoas com Programas de desenvolvimento e formação contínua e actualmente uma maior retenção de talento com colaboradores que ficam e crescem na empresa. Devo mencionar também o facto de termos uma Liderança Acessível em que os gestores se predispoem a gerir com as portas abertas criando um ambiente de confiança. Na BV também damos valor a as realidades locais (infraestrutura, mercado e competencia técnica) sendo que apesar de ser uma multinacional mais de 95% dos nossos colaboradores são moçambicanos e em todas operações a maior parte dos colaboradores é recrutada localmente.
Acho importante adicionar que a cada vez mais a liderança com o suporte do RH se esforça em garantir que os colaboradores entendam o impacto do seu trabalho e que haja umaAlinhamento entre valores da empresa e ações do dia a dia.
Como em tudo há sempre espaço para melhorar e isso é algo que está a ser feito constatemente, inclusive com a nova estrutura adotada pelo grupo.
Helena Macamo visitou a Bureau Veritas Brasil para uma troca profissional e cultural. O que é que essa experiência mudou na forma como vê as operações em Moçambique o que o Brasil faz que Moçambique devia aprender, e o inverso?
Sim foi de facto uma troca bastante produtiva. A Bureau Veritas é uma organização global com operações em mais de 140 países. Intercambios como o meu feito ao Brasil refletem o compromisso em aprender continuamente, não apenas de clientes, mas também entre nossas próprias operações.
BV Brasil é uma das nossas maiores subsidiárias na área de certificação e formação dentro do grupo. E a principal motivação para esta visita era tirar lições de como melhorar localmente nessas duas área. Houve muito aprendizado.
As lições vieram de como eles conseguem manter excelência operacional enquanto escalam. Isso é particularmente relevante para Moçambique, onde estamos em crescimento acelerado.
Aprendizados específicos incluem:
- Processos robustos que não sacrificam agilidade
- Desenvolvimento de talento
- Inovação no serviços
- Posicionmanto em comunicação e vendas
Temos que reconhecemos que Moçambique tem características únicas, mercado emergente, contexto regulatório em desenvolvimento, oportunidades de crescimento exponencial. Não é simplesmente ‘copiar’ o Brasil é adaptar com inteligência, até porque temos contextos bastante especificos.



