Wednesday, June 24, 2026
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Empresas já não procuram apenas diagnósticos, procuram execução e escala regional

A AXIS ADVISORY tem um percurso consolidado no mercado moçambicano. O que explica essa consistência ao longo do tempo, e o que mudou de forma mais relevante na maneira como a empresa cria e entrega valor hoje, em comparação com a fase inicial?

A continuidade está no método, a evolução está na natureza dos mandatos. A Axis Advisory, Lda., efectiva a 28 de abril de 2026, é o resultado de um amadurecimento institucional, não de uma operação cosmética. O que se mantém é a forma de trabalhar: diagnóstico rigoroso, sequenciamento explícito, partner presente do desenho à execução, e responsabilidade pelos resultados muito para além da entrega de um relatório. O que evoluiu foi a complexidade dos mandatos que aceitamos e a sofisticação das ferramentas que mobilizamos para os executar.

Nos últimos dois anos, passámos a operar de forma sistemática em mandatos com lógica regional, atuando em geografias múltiplas, em áreas como estratégia, post-merger integration, restruturação financeira com componente cambial, monitoramento estratégico assistido por agentes de inteligência artificial proprietários. Esta evolução exigiu uma estrutura interna mais formal: dois Partners, uma direcção de PMO, uma direcção legal in-house, uma área analítica dedicada, e uma prática de educação corporativa em desenvolvimento.

A mudança de marca acompanha esta realidade. Axis traduz a função real da firma: eixo de articulação entre capital, capacidade técnica e contexto institucional, e Advisory clarifica o registo de valor e execução. A continuidade com a CTJ Consultoria é total no que respeita a clientes, equipa e princípios. O que muda é a escala e a precisão com que os passamos a servir, através de uma visão mais internacional.

Consultoria é um termo que cobre um espectro muito amplo, desde estratégia de gestão até transformação digital ou consultoria fiscal. Onde se posiciona a AXIS ADVISORY nesse espectro e que tipo de cliente-tipo tem mais a ganhar com o vosso trabalho?

A consistência vem, sobretudo, de três factores: proximidade com a realidade dos clientes, senioridade na entrega e uma preocupação permanente com valor mensurável. A nossa origem como CTJ Consultoria foi marcada por uma actuação muito próxima das empresas, em temas financeiros, estratégicos e organizacionais, sempre com forte ligação ao contexto moçambicano.

O que mudou com a Axis Advisory não foi apenas o nome. Foi a execução bem-sucedida da nossa estratégia institucional que envolveu o crescimento da estrutura e a ampliação da nossa área de atuação. Hoje actuamos em três grandes linhas: Strategy, Business Development e Enterprise Services. Isto permite-nos apoiar os clientes não apenas na definição da direcção estratégica, mas também na estruturação de oportunidades, na execução de projectos críticos e na incorporação de soluções operacionais, tecnológicas e organizacionais.

A diferença mais relevante é que passámos de uma consultoria centrada em resolver problemas específicos para uma firma desenhada para apoiar decisões complexas, crescimento regional e transformação empresarial com método, senioridade e execução.

O cliente-tipo que mais beneficia do nosso trabalho é uma organização que enfrenta complexidade ou um ponto de inflexão: empresas em crescimento, grupos internacionais a entrar ou expandir-se em Moçambique, empresas locais que querem profissionalizar-se ou internacionalizar-se, investidores que precisam de navegar o contexto local, ou organizações que precisam de transformar a sua operação sem perder controlo sobre o negócio pensando sempre à escala nacional, regional e global.

A nossa proposta é particularmente relevante quando o problema não se resolve apenas com uma recomendação. Exige diagnóstico, alinhamento, estruturação, capacidade de execução e acompanhamento até que o valor seja capturado.

O Marcelo construiu a sua carreira em diferentes contextos e experiências ao longo do tempo. Que aprendizagens dessa trajectória têm hoje maior impacto na forma como lidera e pensa a AXIS ADVISORY em Moçambique?

A minha trajectória passou por consultoria, auditoria, finanças corporativas, indústria, mineração, transformação organizacional, fusões e aquisições e liderança executiva. Comecei na Arthur Andersen, trabalhei na TIM, depois muitos anos na Vale e vim para Moçambique em 2016 para assumir funções executivas no projecto de carvão da Vale, depois Vulcan.

A principal aprendizagem é que estratégia só tem valor quando é executável. Em grandes organizações, aprendemos que uma boa ideia não basta. É preciso governança, números sólidos, capacidade de implementação, gestão de stakeholders e disciplina de execução.

Outra aprendizagem importante é que o contexto importa. Uma solução que funciona em Londres, São Paulo ou Joanesburgo não pode ser simplesmente copiada para Maputo. Tem de ser adaptada ao contexto regulatório, institucional, económico e cultural.

A Axis Advisory nasce desta combinação: rigor internacional, experiência executiva e leitura profunda da realidade local. É isso que procuramos entregar aos nossos clientes.

II.  MOMENTO ACTUAL DO SECTOR

Se tivesse de fazer um diagnóstico honesto do sector da consultoria em Moçambique hoje não apenas a área em que a AXIS ADVISORY actua, mas o mercado no seu conjunto, o que diria? O que já funciona, o que ainda falta, e o que está a travar o progresso? 

O sector da consultoria em Moçambique evoluiu bastante. Há mais procura por serviços especializados, maior sofisticação nos clientes e uma consciência crescente de que decisões estratégicas precisam de suporte técnico. 

Mas ainda há lacunas importantes. A primeira é a distância entre recomendação e implementação. Muitas vezes o mercado ainda compra estudos, relatórios ou diagnósticos, mas não estrutura adequadamente a execução. A segunda é a falta de dados e de sistemas de gestão suficientemente robustos em muitas organizações, o que dificulta análises profundas e decisões bem fundamentadas. A terceira é a escassez de talento consultivo com experiência prática de gestão, especialmente em ambientes complexos.

O mercado de consultoria em Moçambique é dominado em grande parte por grandes grupos internacionais com operações locais. Como é que uma subsidiária de grupo internacional compete, diferencia e retém talento nesse contexto?

No nosso caso, é importante fazer uma distinção: a Axis Advisory não é uma subsidiária de um grupo internacional. Somos uma firma independente, baseada em Moçambique, com operações e parcerias em África, Europa e Américas, com esse alcance e ambição internacional, padrões elevados de entrega e uma rede de parceiros que nos permite aceder a conhecimento, tecnologia e especialização global.

Essa independência é parte importante da nossa diferenciação. Não competimos tentando ser uma versão menor das grandes firmas internacionais. Competimos sendo mais próximos, mais seniores, mais flexíveis, ágeis e mais comprometidos com execução. Temos capacidade de adaptar metodologias globais à realidade local, envolver directamente os sócios nos projectos e construir soluções à medida do cliente.

Quanto ao talento, a retenção passa por propósito e aprendizagem. Queremos atrair pessoas que queiram trabalhar em problemas relevantes, com exposição a clientes seniores, projectos regionais e temas de transformação real. A nova geração de consultores não quer apenas executar tarefas. Quer aprender, contribuir, usar tecnologia, desenvolver pensamento crítico e ver impacto. Esse é o ambiente que procuramos construir.

A digitalização dos serviços de consultoria, incluindo ferramentas de análise de dados, automação de processos e inteligência artificial, está a mudar a forma como o trabalho é feito. Como é que a AXIS ADVISORY está a incorporar estas ferramentas, e o que isso significa para os consultores júnior?

A IA aplicada já é parte operacional da nossa firma, não como tema de discussão futura, mas como ferramenta integrada na rotina. Operamos agentes próprios construídos sobre infraestrutura institucional, com finalidades específicas. Um deles, chamado Atlas, faz monitoria do ecossistema mediático moçambicano e gera análises estratégicas relevantes para a equipa. Desenvolvemos especificamente para a demanda do nosso cliente.

Vemos a tecnologia como amplificador da capacidade humana, não como substituto do julgamento. Para os consultores júnior, isto muda o perfil esperado. O valor deixa de estar apenas na capacidade de produzir slides ou fazer pesquisa básica. Passa a estar na capacidade de formular boas perguntas, interpretar dados, estruturar problemas, validar hipóteses, comunicar conclusões e usar tecnologia com discernimento. A tecnologia eleva a fasquia. Os consultores mais jovens terão de ser mais analíticos, mais curiosos e mais rápidos na aprendizagem.

III.  PESSOAS, CULTURA & LIDERANÇA

A AXIS ADVISORY tem vindo a evoluir em dimensão e estrutura ao longo do tempo. O que é que essa evolução revela sobre o modelo que escolheram? E de que forma a gestão da organização se transformou à medida que a empresa foi ganhando escala?

A evolução da Axis Advisory revela uma escolha deliberada: crescer com foco, não apenas em dimensão. Não queremos ser grandes por vaidade. Queremos ser relevantes pela qualidade do trabalho, pela senioridade envolvida e pela capacidade de entregar valor.

O nosso modelo combina uma equipa central sénior, consultores em desenvolvimento e uma rede de especialistas e parceiros em áreas específicas. Isto permite-nos manter flexibilidade, aceder a competências especializadas e adaptar a equipa às necessidades de cada projecto.

À medida que a organização ganhou escala, tivemos de nos estruturar melhor internamente. A transição de CTJ para Axis Advisory reflecte também esse processo: maior clareza de posicionamento, melhor organização das linhas de negócio, processos internos mais formais, maior disciplina comercial e maior capacidade de actuação regional.

A gestão deixou de ser apenas empreendedora e passou a ser mais institucional. Continuamos ágeis, mas com mais método, mais governança e mais abrangência.

Formar consultores em contextos com diferentes níveis de maturidade do mercado implica desafios específicos, desde a base de talento até às expectativas dos clientes. Como é que a AXIS ADVISORY constrói e desenvolve capacidade interna neste enquadramento?

Formar consultores exige uma abordagem muito prática. A formação técnica é importante, mas não basta. É preciso desenvolver capacidade de leitura de contexto, comunicação executiva, rigor analítico, maturidade profissional e sensibilidade institucional.

Na Axis Advisory, procuramos desenvolver capacidade interna através de exposição directa a projectos reais, acompanhamento próximo por consultores sénior e envolvimento em problemas empresariais concretos. Acreditamos que consultores se formam combinando método, prática e feedback.

Também valorizamos a aprendizagem contínua. Trabalhamos com parceiros internacionais, incorporamos tecnologia e procuramos trazer referências externas para o nosso contexto. Mas insistimos numa ideia: o consultor precisa de entender a realidade do cliente. Não basta dominar modelos. É preciso compreender a operação, a cultura, os constrangimentos e o que realmente move a decisão.

O nosso objectivo é formar profissionais capazes de pensar com rigor e actuar com pragmatismo.

IV.  VISÃO & FUTURO

Quais são as duas ou três apostas estratégicas AXIS ADVISORY para os próximos três a cinco anos em Moçambique, e em que leitura do contexto do país essas decisões se baseiam?

A primeira aposta é consolidar a Axis Advisory como uma referência em estratégia, fusões e aquisições, integração pós-fusão e expansão de negócios. Moçambique e a região vão continuar a assistir a movimentos de investimento, consolidação, entrada de novos actores e transformação de grupos existentes. Há uma necessidade clara de apoio sénior nesse processo.

A segunda aposta é desenvolver a nossa linha de Business Development, apoiando empresas e investidores na criação de novos negócios, entrada em mercados, estruturação de parcerias, captação de capital e ligação entre oportunidades locais e capital internacional.

A terceira aposta é a nossa linha de Enterprise Services que visa a incorporação de tecnologia, automação e inteligência artificial em serviços corporativos e modelos operacionais, com a opção de terceirização desses serviços. Moçambique tem uma oportunidade de saltar etapas em várias áreas, desde atendimento ao cliente até processos financeiros, controlo operacional, análise de dados e eficiência interna. E esses serviços, efectuados com tecnologia e práticas internacionais de referência mas bem customizadas à complexidade e realidade nacional, podem inclusive ser exportáveis para empresas a operarem em países com desafios similares.

Estas apostas baseiam-se numa leitura simples: o país tem potencial, mas o potencial só se materializa com execução. Energia, recursos naturais, logística, serviços financeiros, agro-negócio e indústria oferecem oportunidades relevantes, mas exigem governança, capital, competência operacional e decisões bem estruturadas.

O crescimento de Moçambique na próxima década dependerá, em parte, da qualidade das decisões do sector privado e do Estado. Que papel pode a consultoria desempenhar nesse processo, e que condições são necessárias para que esse contributo seja efectivo?

A consultoria pode desempenhar um papel importante como instrumento de qualificação da decisão. Pode ajudar o sector privado e o Estado a estruturar problemas, avaliar alternativas, medir riscos, desenhar modelos de implementação e acompanhar resultados. Fundamentalmente, ajudar a melhorar a qualidade da decisão e aumentar a probabilidade de execução bem-sucedida.

As condições necessárias são: acesso a informação, abertura ao contraditório, compromisso da liderança, capacidade de implementação e métricas de acompanhamento. Bons consultores também precisam de ter independência intelectual. Devem ser capazes de dizer o que o cliente precisa ouvir, não apenas o que gostaria de ouvir.

Moçambique pode beneficiar-se de melhores decisões, mais disciplina de execução e maior capacidade institucional e a consultoria pode contribuir muito.

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