A Gemfields anuncia os resultados de um leilão de rubis em bruto de qualidade mista, realizado entre 22 e 29 de Junho de 2026. Este foi o primeiro leilão da empresa no formato “Trade Select”, que apresentou uma selecção mais abrangente de diferentes qualidades de rubis, bem como novas categorias de safiras introduzidas pela primeira vez.
Principais resultados do leilão:
- – Receitas totais de 23,1 milhões de dólares norte-americanos;
- – Foram vendidos 82 dos 89 lotes colocados à venda (92,1%);
- – Dos 374.008 quilates disponibilizados, 348.409 quilates foram vendidos (93,2%);
- – Preço médio de venda: 66,30 dólares por quilate.
Adrian Banks, Director-Geral de Produto e Vendas da Gemfields, afirmou:
“Estamos satisfeitos com o resultado do nosso leilão inaugural de rubis no formato Trade Select. Este formato foi desenvolvido para se posicionar entre os tradicionais leilões de rubis de qualidade mista da MRM e os leilões de menor dimensão introduzidos durante 2025. Ao reunir categorias e classes seleccionadas numa oferta mais direccionada, este modelo proporciona maior flexibilidade para alinhar a produção disponível com a procura do mercado, ao mesmo tempo que amplia a participação dos clientes.
Foi encorajador receber comentários positivos dos clientes, tanto em relação ao formato do leilão como à composição da oferta. Embora as condições de mercado continuem desafiantes em alguns segmentos do mercado das pedras preciosas de cor, a participação dos clientes foi robusta e as licitações demonstraram que continua a existir procura nas diversas categorias disponibilizadas.
Gostaria de agradecer à equipa da MRM, em Moçambique, pelo extraordinário empenho na preparação e realização deste leilão, apesar dos inúmeros desafios que enfrenta. Esperamos agora consolidar estes resultados, numa altura em que se iniciam os preparativos para o próximo leilão de rubis de qualidade mista da MRM, actualmente previsto para Outubro de 2026.”
As pedras preciosas foram extraídas em Moçambique pela Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM), empresa detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti Limitada. A totalidade das receitas obtidas neste leilão será repatriada para a MRM, em Moçambique, sendo igualmente pagas ao Governo da República de Moçambique todas as royalties devidas, calculadas sobre o valor integral das vendas alcançadas no leilão.
Os lotes foram disponibilizados em Banguecoque, na Tailândia, para sessões privadas de observação presencial pelos clientes. Concluídas estas visualizações, o leilão decorreu através de uma plataforma electrónica desenvolvida especificamente para a Gemfields, permitindo a participação de compradores provenientes de várias jurisdições, através de um processo de licitação em envelope fechado (sealed bid).
Actualização da MRM
Conforme referido no comunicado de 22 de Maio de 2026, a Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) registou uma produção de rubis inferior ao esperado, devido sobretudo ao declínio dos teores de recuperação. Os rubis de qualidade premium representam, normalmente, mais de 70% das receitas da MRM, embora correspondam a menos de 5% do peso total dos rubis produzidos e comercializados.
No exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, o teor médio de rubis premium recuperados na MRM foi de 0,06 quilates por tonelada. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, esse indicador reduziu-se para 0,03 quilates por tonelada.
No domínio de Mugloto, responsável pela maior parte das receitas da MRM e que representa 78% do minério processado até à data, o teor de rubis premium foi de 0,03 quilates por tonelada no ano findo em 31 de Dezembro de 2025. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, este indicador diminuiu para 0,02 quilates por tonelada.
Além da redução dos teores, a MRM não conseguiu explorar e processar as zonas mais favoráveis da concessão devido às fortes chuvas registadas durante o primeiro trimestre de 2026 e aos problemas verificados durante a fase de comissionamento da Segunda Unidade de Processamento da MRM (PP2), descritos mais adiante. Como consequência, prevê-se um impacto materialmente negativo nas reservas de rubis disponíveis para os leilões da MRM durante, pelo menos, o restante ano de 2026.
No plano operacional, a empresa está a realizar campanhas adicionais de amostragem em massa direccionada em áreas consideradas promissoras para minério de maior teor, com o objectivo de melhorar os níveis de recuperação. Paralelamente, a Gemfields e a MRM mantêm diversas medidas de gestão e controlo de custos implementadas desde o final de 2024.
A empresa divulgará uma nova actualização sobre a produção de rubis e os teores de recuperação no relatório operacional relativo aos seis meses findos em 30 de Junho de 2026, cuja publicação está prevista até 31 de Julho de 2026.
PP2 – Segunda Unidade de Processamento
A PP2 encontra-se em funcionamento desde Setembro de 2025, embora a conclusão definitiva do seu processo de comissionamento, ao abrigo do contrato de construção a preço fixo, esteja actualmente prevista para o terceiro trimestre de 2026. Apesar de a unidade já ter demonstrado capacidade para atingir e até ultrapassar a capacidade de processamento prevista no projecto, o processo de entrada definitiva em operação continua dependente da conclusão de diversas actividades de estabilização, correcção e optimização.
Entre os principais problemas identificados destacam-se o desgaste superior ao previsto de alguns componentes (incluindo os revestimentos do lavador primário), defeitos de fabrico no lavador secundário atribuídos ao fabricante do equipamento original (OEM), situação que exige a reconstrução integral deste equipamento e a entrega de uma unidade de substituição, cuja chegada ao local está prevista para Agosto de 2026.
Foram igualmente registados entupimentos em diversos componentes do circuito de processamento, obrigando, entre outras intervenções, à alteração da orientação e do revestimento das calhas e alimentadores, bem como ao reforço da disponibilidade de peças sobressalentes críticas.
Estes constrangimentos tiveram um impacto significativo na disponibilidade operacional da unidade e na consistência do seu desempenho, estando, contudo, a ser activamente resolvidos no âmbito do processo final de comissionamento e estabilização da instalação.
Situação de Segurança da MRM
A partir de 30 de Abril de 2026, diversas aldeias situadas entre 15 e 35 quilómetros da MRM foram alvo de ataques atribuídos a grupos insurgentes. Os ataques provocaram o incêndio de igrejas e habitações e apresentaram características semelhantes às acções registadas noutras zonas da província de Cabo Delgado. Foram igualmente reportados confrontos entre as forças locais e os atacantes na aldeia de Mesa, localizada a 29 quilómetros a leste da aldeia da MRM.
Como medida de precaução, a MRM suspendeu temporariamente as suas operações durante cerca de 20 horas, retomando a actividade em 1 de Maio de 2026. Posteriormente, em 13 de Maio de 2026, a aldeia de Naniviji, situada a cerca de 25 quilómetros a sudeste da MRM, foi igualmente atacada, tendo várias habitações sido incendiadas.
Também em 13 de Maio de 2026, as autoridades governamentais anunciaram a detenção de vários indivíduos classificados como “falsos terroristas” no distrito de Ancuabe. Segundo as informações disponíveis, estes indivíduos terão explorado o clima de insegurança existente, simulando a presença de grupos insurgentes para provocar a fuga das populações, saqueando posteriormente os seus bens e incendiando as respectivas residências.
Para além da ameaça representada por grupos insurgentes organizados, a empresa destaca igualmente riscos decorrentes da criminalidade local, da actuação de redes ilegais de exploração de rubis e de outros factores de instabilidade regional, incluindo dificuldades na aplicação efectiva do Estado de Direito.
Desde então, as condições de segurança registaram uma melhoria moderada e as operações regressaram a um nível de normalidade relativa, embora a evolução da situação continue a ser acompanhada de forma permanente.
A MRM continua, contudo, a enfrentar elevados níveis de intrusão de garimpeiros ilegais, estimando-se que cerca de 700 pessoas entrem diariamente na área da concessão. Estas incursões representam um risco significativo para a segurança dos trabalhadores, prestadores de serviços e comunidades vizinhas, além de contribuírem para a degradação dos recursos de rubis e para a redução dos teores de recuperação da mina.
IVA
A Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) tem por receber 28,3 milhões de dólares norte-americanos em reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), valor contabilizado até 30 de Junho de 2026. Este montante, conjugado com o aumento da carga fiscal resultante da nova legislação do IVA, teve um impacto materialmente negativo sobre o fluxo de caixa da empresa.
A MRM tem mantido um diálogo contínuo com as autoridades competentes para obter o reembolso do IVA. No entanto, a empresa não recebe qualquer reembolso desde Outubro de 2024, estando actualmente a avaliar todas as opções disponíveis para acelerar a recuperação dos créditos acumulados.
Moçambique introduziu uma nova legislação do IVA em 1 de Janeiro de 2026, que, entre outros aspectos, aumentou significativamente a carga fiscal suportada pela MRM. Em contrapartida, foi igualmente criado um regime especial para empresas do sector extractivo que cumpram determinados requisitos.
A MRM enquadra-se neste regime especial, concebido para garantir que as empresas elegíveis da indústria extractiva recebam os respectivos reembolsos de IVA de forma previsível e de acordo com um calendário previamente definido.
O primeiro reembolso devido à MRM ao abrigo das novas regras corresponde ao crédito de IVA referente a Janeiro de 2026, no valor de 370 mil dólares norte-americanos, cujo pagamento deverá ocorrer em 7 de Agosto de 2026.
A empresa sublinha que um sistema fiável e atempado de reembolso do IVA suportado nas suas aquisições constitui um factor de importância crítica para a sustentabilidade do seu fluxo de caixa e para a continuidade das operações.
Perspectivas de curto prazo e monitorização
A Gemfields considera que a conjugação de vários factores, nomeadamente a redução dos teores de rubis recuperados, os desafios associados ao comissionamento da Segunda Unidade de Processamento (PP2), as perturbações provocadas pela situação de segurança, a intensificação da mineração ilegal e os atrasos no reembolso do IVA, deverá afectar negativamente a produção, a composição qualitativa dos rubis produzidos e a posição de tesouraria da MRM.
Perante este cenário, a Gemfields e a MRM afirmam que continuam a acompanhar de perto a evolução da situação, mantendo um diálogo permanente com as autoridades governamentais e implementando planos de contingência destinados a mitigar os riscos operacionais e financeiros.
Sobre a Gemfields Group Limited
A Gemfields é uma das principais empresas mundiais dedicadas à exploração e comercialização de pedras preciosas de cor, encontrando-se cotada simultaneamente na Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE) e no mercado AIM da Bolsa de Londres.
A empresa é operadora e detém 75% do capital da Kagem Mining, na Zâmbia — considerada uma das mais importantes minas de esmeraldas do mundo — e da Montepuez Ruby Mining (MRM), em Moçambique, localizada num dos mais significativos depósitos de rubis descobertos nas últimas décadas.
Além destas operações, a Gemfields possui participações maioritárias em diversas outras licenças de exploração mineira e prospecção de pedras preciosas na Zâmbia, Moçambique e Madagáscar.
A empresa desenvolveu igualmente um sistema próprio de classificação de pedras preciosas e uma plataforma pioneira de leilões, concebidos para assegurar um fornecimento consistente de gemas de cor aos mercados internacionais. Este modelo de negócio tem desempenhado um papel determinante no crescimento e desenvolvimento do sector global das pedras preciosas de cor.
Fonte: Gemfields



