A Empresa Moçambicana de Dragagens (EMODRAGA) registou um forte crescimento dos resultados em 2025, com o lucro líquido a aumentar 258%, para cerca de 2,6 milhões de dólares, contra aproximadamente 719 mil dólares no exercício anterior.
O desempenho foi determinado, sobretudo, pelo recebimento de uma indemnização de cerca de 3,1 milhões de dólares paga pelas seguradoras para cobrir os custos de reparação da draga Macúti, na sequência do acidente que deixou a embarcação inoperacional durante vários anos.
Apesar da melhoria expressiva dos resultados, as receitas operacionais da empresa recuaram 1,2%, para aproximadamente 18,6 milhões de dólares. A principal alteração verificou-se nos outros ganhos operacionais, que atingiram cerca de 3 milhões de dólares, depois de terem registado perdas líquidas de aproximadamente 11,4 mil dólares em 2024.
A indemnização está relacionada com o acidente ocorrido em 2016, quando a Macúti, então a maior draga da EMODRAGA, colidiu com um navio comercial de bandeira panamiana no canal de acesso ao Porto da Beira. A embarcação permaneceu cerca de sete anos em reparação na África do Sul e regressou à Beira em 2024.
Com a retoma das operações da Macúti, a EMODRAGA conseguiu também melhorar o seu desempenho operacional. O resultado operacional passou de cerca de 1,1 milhões de dólares em 2024 para 3,7 milhões de dólares em 2025, num ano em que a draga operou durante todo o exercício e retomou a actividade de manutenção do canal de acesso ao Porto da Beira.
A evolução, contudo, também teve impacto nos custos, nomeadamente no consumo de combustível, associado ao funcionamento integral da embarcação durante o ano.
Empresa estratégica para a actividade portuária
Criada em 1994, a EMODRAGA é uma empresa integralmente detida pelo Estado moçambicano e supervisionada pelo Ministério dos Transportes e Logística, sendo representada pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE).
A empresa tem como principal missão assegurar a navegabilidade dos canais de acesso aos portos nacionais. Entre as suas actividades estão a manutenção de canais de acesso, bacias de manobra, zonas de fundeadouro e áreas de acostagem, além de trabalhos de dragagem de construção e manutenção e obras hidráulicas.
No final de 2025, os activos tangíveis da EMODRAGA estavam avaliados em cerca de 56,4 milhões de dólares. A frota inclui dragas, embarcações de apoio, rebocadores, batelões e equipamentos de levantamento hidrográfico, tendo a Macúti e a Aruângua como principais activos operacionais.
Durante o exercício, a empresa procedeu ainda à reavaliação dos seus equipamentos produtivos, incluindo embarcações, activos de levantamento hidrográfico e imóveis. O processo resultou numa redução do valor contabilístico de alguns activos, reflectida nas reservas de reavaliação.
O resultado de 2025 coloca a recuperação operacional da Macúti como um dos principais factores por detrás da melhoria das contas da EMODRAGA, embora uma parcela significativa do crescimento do lucro tenha origem extraordinária, associada à indemnização do seguro.
Fonte: 360 Mozambique



