A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) desafiou a nova liderança do Banco de Moçambique a adoptar medidas que facilitem o acesso das empresas ao crédito e reduzam os custos de financiamento.
Durante o XXII Economic Briefing, realizado em Maputo, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, afirmou que o principal desafio do regulador será encontrar um equilíbrio entre a estabilidade macroeconómica e a necessidade de garantir financiamento para a produção, investimento e criação de emprego.
Segundo Massingue, apesar da redução da taxa de juro de política monetária, o crédito continua caro, com a prime rate do sistema financeiro fixada em 15,50%, antes da aplicação dos spreads bancários.
A CTA defende uma transmissão mais efectiva da política monetária para a economia real, de modo que a redução das taxas de referência se traduza em menores custos para as empresas. A organização empresarial pediu igualmente maior previsibilidade e coordenação entre as políticas monetária, cambial e fiscal.
No encontro, Massingue destacou ainda a necessidade de retomar o Comité de Política Monetária+1, uma plataforma de diálogo entre o Banco de Moçambique e o sector privado para explicar as decisões de política monetária e discutir os seus impactos na actividade económica.
Sobre o ambiente de negócios no segundo trimestre de 2026, a CTA registou uma ligeira melhoria, com o Índice de Robustez Empresarial a subir de 26% para 27%. A organização apontou como factores positivos a estabilidade cambial, a evolução das taxas de juro e o dinamismo da campanha agrícola.
Contudo, Massingue alertou que as empresas continuam a enfrentar constrangimentos, incluindo dificuldades no acesso a divisas, aumento dos custos dos combustíveis, dívidas do Estado ao sector privado, degradação de infra-estruturas e excesso de burocracia.
Para a CTA, a melhoria recente dos indicadores económicos ainda não representa uma superação dos desafios estruturais que afectam a competitividade das empresas moçambicanas.



