Tuesday, September 22, 2026
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Tmcel avança para privatização parcial com três potenciais parceiros estratégicos

O Governo moçambicano deu um passo decisivo no processo de revitalização da Moçambique Telecom (Tmcel), ao autorizar formalmente a selecção de um parceiro estratégico que poderá assumir parte do capital da operadora estatal de telecomunicações. A operação, aprovada pela Resolução n.º 67/2026, de 21 de Agosto, marca o início de uma fase crítica para uma empresa que acumula passivos avultados e enfrenta sérios desafios de sustentabilidade financeira .

Segundo informação divulgada nos últimos dias, o Governo já identificou três potenciais interessados no processo: a AXIAN Telecom, o consórcio formado pela Optimum Systems W.L.L. e Meridian Ventures Investment FZCO, e a Aikun Solutions DMCC . O Estado detém actualmente 66% do capital da Tmcel, enquanto o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) controla 26% .

Perfis distintos dos candidatos

A AXIAN Telecom destaca-se como a entidade com maior experiência operacional no sector. Trata-se de um grupo pan-africano com sede nas Maurícias, controlado pelo empresário franco-malgaxe Hassanein Hiridjee, que opera em 11 mercados africanos e do Oceano Índico. Em 2025, o grupo declarou receitas de aproximadamente 1,69 mil milhões de dólares e um EBITDA ajustado de 728 milhões de dólares, contando com 43,8 milhões de clientes móveis e mais de 5.300 trabalhadores . A AXIAN tem experiência comprovada na aquisição e transformação de operadores de telecomunicações em países como Madagáscar, Tanzânia, Togo, Senegal e Comores .

O consórcio Optimum Systems / Meridian Ventures apresenta um perfil diferente. A Optimum Systems é uma empresa qatariana de tecnologias de informação e integração de sistemas, mas sem experiência demonstrada na operação de redes móveis nacionais. A Meridian Ventures, sediada no Dubai, é uma plataforma de investimento sobre a qual existe informação pública limitada .

A Aikun Solutions DMCC, igualmente sediada no Dubai, apresenta-se como uma consultoria especializada em estratégia, finanças empresariais, fusões e aquisições e reestruturação de dívida. O seu perfil aproxima-se mais de uma estruturadora de investimentos do que de uma operadora de telecomunicações com experiência directa.

Contexto financeiro desafiante

A urgência do processo de privatização parcial é explicada pelos números financeiros da Tmcel. A operadora encerrou 2025 com 1,79 milhão de clientes móveis activos — um crescimento de 62,1% face ao ano anterior — e uma rede nacional de 1.303 antenas, incluindo 724 estações 4G/LTE . A empresa emprega 1.225 trabalhadores e detém cerca de 6.500 quilómetros de fibra óptica backbone .

Contudo, o desempenho financeiro continua crítico. A Tmcel reduziu o prejuízo em 17,6% em 2025, para 3,94 mil milhões de meticais, mas as receitas caíram 10,1% para 2,59 mil milhões de meticais. Os capitais próprios negativos agravaram-se 25,8%, atingindo 19,23 mil milhões de meticais, enquanto a dívida líquida se aproxima de 28 mil milhões de meticais. No final do exercício, a empresa dispunha de apenas 389 milhões de meticais em caixa .

A auditoria independente da Deloitte, que acompanha as contas de 2025, alerta para uma «incerteza material relacionada com eventos ou condições que podem levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa de continuar como going concern» .

Próximos passos

O Governo constituiu uma Equipa Técnica Multissectorial — envolvendo os Ministérios da Economia e Finanças, das Comunicações e o IGEPE — para conduzir as negociações e coordenar o processo de selecção. A equipa tem um prazo de 135 dias para apresentar um relatório detalhado, com a identificação do parceiro seleccionado e uma minuta de decreto com os termos da transacção. O prazo limite para a apresentação da proposta é Janeiro de 2027 .

A operação, que será conduzida por negociação privada, pretende assegurar a «preservação do interesse estratégico do Estado na infra-estrutura de telecomunicações», a «modernização tecnológica» da empresa e a «continuidade da prestação de serviços públicos essenciais» .

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